Cinco novos singles brazucas que você ainda não ouviu

Se tem uma coisa que a gente gosta na redação do NMP é música brasileira e, por isso, ficamos sempre de orelhinhas em pé para saber o que tem de novo por aí e trazer para vocês. Fiz uma listinha com cinco lançamentos que saíram nos últimos dias para você apreciar. Coloca o fone de ouvido e curte aí:

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“Alma Brava” é um diálogo traçado entre o trap, a música instrumental e o rap, que há muito tempo está presente no som e na vida de Msário e que antecede “Indefinido”, o novo EP do cantor. Os versos de “Alma Brava”, compostos e rimados por Msário, falam sobre relacionamentos e também das dificuldades enfrentadas por um casal, que, apesar de se amar, pode ter a confiança colocada à prova devido a conflitos externos, como insegurança e opiniões alheias. A faixa traz uma mensagem de luta e enfrentamento, onde é retratado que nenhum desses fatores pode ser maior do que os sentimentos de amor, cumplicidade e respeito, que fazem com que as pessoas tenham força para superar todos os obstáculos. O trabalho tem as participações especiais de Daniel Yorubá, que engrossa os vocais, e também do trombonista Bocato, que já acompanhou nomes expressivos da música brasileira, como Elis Regina, Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé. O beat fica por conta do rapper e beatmaker Slim Rimografia, enquanto a produção musical é assinada por Bruno Dupre e Jeff Boto.

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Cinética mistura sentimentos, música eletrônica e sensualidade

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O lançamento de Anne Jezini conta com nove faixas, beats certeiros e produção de Lucas Santtana

“Cinética”, é o mais novo trabalho de Anne Jezini, disponível em todas as plataformas digitais. A jovem cantora veio Manaus, e foi lá onde começou a compor e soltar a voz. O disco evoca as raízes e memórias musicais de Anne, além de traduzir, com sensualidade e alegria, a magia do movimento das palavras, em suas letras e beats. “A atmosfera do disco é solar, pra cima, e o fio que costura as músicas entre si, são os movimentos da vida, seus relacionamentos e contrastes”, explica a artista.

Como fonte de inspiração de Anne, estão os gêneros musicais synthpop, new R&B e do guetotech, além de artistas como Peaking Lights, Lcd Soundsystem, Wild Belle, Santigold e  o próprio Lucas Santtana. “Ele tem um desapego estilístico incrível e um gosto apurado na escolha das combinações de timbres”, diz Anne sobre seu produtor.

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O lado B(razuca) do Lollapalooza

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Se você já garantiu o ingresso para um dos eventos mais esperados desse ano, com certeza, está ansioso para ver os shows principais, não é mesmo? Bandas como Muse, New Order e Phoenix estão nos tops das mais esperadas para a terceira edição do Lollapalooza no Brasil, que acontece nos dias 05 e 06 de Abril, no Autódromo de Interlagos, SP. A banda Arcade Fire, que ajudou a garantir o Oscar de Melhor Trilha Sonora para o filme Her esse ano, também está entre as queridinhas. Porém, se você parar para pensar, pode fazer o seu ingresso de R$290 (por dia) valer muito a pena. Os horários já foram divulgados e se você for um abelhudo esperto e eclético, consegue ver até 8 performances em um só dia de festival. Mais do que assistir um montão de artistas que você gosta, a ideia dessa festa é proporcionar uma experiência diferente ao público. Transitar entre os palcos – esse ano serão cinco – e conhecer músicas novas faz parte desse pacote. Por isso, ao invés de conferir apenas sua banda favorita, que tal chegar mais cedo e apreciar um bom som nacional? Têm para todos os gostos!

Fã de um estilo mais calminho? Então, você não pode perder uma das primeiras grandes apresentações do dia. O capixaba SILVA faz parte dessa nova e rica safra de música brasileira comum em sites como Musicoteca  e acabou de lançar seu novo trabalho, Vista Pro Mar, que foi gravado em Lisboa. Teve a impressão de já ter ouvido essa voz antes? Não é um engano, o rapaz fez uma participação especial em Monomania, da Clarice Falcão, com a canção Eu Me Lembro. Porém, se prefere algo mais animado, não perca o baiano Lucas Santtana. Munidos a um tipo de bateria digital, letras marcantes e som psicodélico, ele e sua banda apresentam músicas do trabalho O Deus Que Devasta, Mas Também Cura, que fez muito sucesso principalmente na Europa. Não é a toa que eles passaram por 21 cidades diferentes do continente, além de Buenos Aires.

O rock também se faz presente no final de semana energético do bairro de Interlagos. A banda paulista Vespas Mandarinas abre o festival com atitude total. Liderada por Chuck Hipolito – ex-Forgotten Boys e Mtv Brasil – eles apresentam hits como Cobra de Vidro e Santa Sampa do trabalho Animal Nacional, onde contam o cotidiano caótico do paulistano. Já no domingo, os gaúchos do Apanhador Só dominam o Palco Interlagos também no início do dia. O álbum Antes Que Tu Conte Outra foi considerado pela crítica um dos melhores álbuns de 2013.  A ideia dos caras é totalmente experimental, tanto nos acordes destorcidos, como em seus vídeos loucos, ou seja, uma mistura louca que agrada muitos públicos e têm lotado apresentações por aí.

Por outro lado, se o intuito é experimentar uma sonoridade realmente incomum, o seu lugar é na plateia do Digitaria. Formado em 2006, a dupla de Daniela Caldellas e Daniel Albinarti seguem a filosofia que criatividade e sentimento se completam, portanto, devem andar juntos. O som é bem eletrônico e apesar de eles terem origens brasileiras, o trabalho dos dois faz sucesso mesmo lá fora. Algo bem dançante, com pouca presença de voz, mas que envolve a todos. Preste atenção nas batidas de Useless Fantasies, um dos destaques do CD. Apesar de ser um show feito para crianças, o Coisinha chama atenção no palco do Kidzapalooza, que traz diversas atrações infantis. Idealizado por China e acompanhado por Lula Lira e Felipe S., que também fazem parte da banda Mombojó, o Coisinha é um espetáculo super interativo, onde as crianças são convidadas a pintar o cenário, enquanto ouvem grandes clássicos como A Velha Debaixo da Cama, Carimbador Maluco e O Pato Pateta com uma roupagem bem inusitada. As brincadeiras encantam não só as crianças, mas também os pais que podem recordar a doçura da infância. Ou seja, a farra é garantida por essa galerinha.

Outros renomados artistas passarão por lá, como Brothers Of Brazil, Raimundos, Cone Crew Diretoria, Selvagens À Procura da Lei e claro, a apresentação obrigatória de Nação Zumbi. E então, quais as suas escolhas?

Sábado power: Lucas Santtana e Cícero

É uma delícia acordar com o dia bonito aqui nessa cidade cinza, não é mesmo? Sábado passado (26), São Paulo estava tão bonito que eu decidi aproveitar o sol, que estava pra lá de escaldante. À convite da minha amiga Juliana, que trabalha na Verdura Produções Culturais fui conferir um dos dias de espetáculo do projeto Pequenos Contemporâneosque consiste em levar artistas atuais para cantar músicas infantis, como Os Saltimbancos e Sítio do Pica Pau Amarelo. Mas o sábado foi dedicado ao Trem da Alegria, grupo que fez sucesso entre 84 e 92, porém na voz de Lucas Santtana.

1291627_10153338277325078_1545166050_oA parte difícil? Ir até o Sesc Santo Amaro! Porque eu nunca tinha ido até o bairro e sabia que a volta que eu daria seria grande. Mas acordei relativamente cedo, e me programei para sair de casa umas 2 horas antes, só para não se atrasar caso eu me perdesse. E posso dizer que foi uma experiência muito boa, estava munida ao meu Misto Quente do Bukowski e a linha esmeralda da CPTM mais parece um metrô, então foi bem tranquilo. Ao descer na estação Santo Amaro, basta fazer baldiação para o metrô que te deixa na estação Largo Treze e dá pra ir a pé para o Sesc. O lugar é muito bonito, pena que cheguei em cima da hora e não pude explorar melhor o espaço.

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Entrei no teatro rapidinho e foi uma delícia ver tantas crianças com seus pais, esperando pelo show que logo viria. O baiano abriu a tarde com Uni Duni Tê  e foi engraçado ver como os adultos (inclusive eu) estavam mais animados que os pequenos, por serem músicas mais antigas. Depois veio Chocolate, a fofíssima Pra Ver Se Cola, mas foi só com Piuí, Abacaxi que a molecada se soltou e foi pular com Lucas em cima do palco. E aí, foi só festa, o cantor entrou no clima, colocou uma peruca colorida na cabeça e pulou sem parar com os pequenos para lá e pra cá. Uns até arriscaram fazer uma capelinha com Santtana, cantarolando entre um verso e outro. E os pais babando, é claro. Me senti um pouco velha, porque sabia cantar todas as músicas, haha. A apresentação durou cerca de 1h e foi uma experiência única, diferente e acima de tudo muito divertida. Já fiquei sabendo que Lucas e sua banda vão para o Pompéia dia 21/11 e apresentará músicas de seu repertório delicioso que está presente no disco O Deus Que Devasta Mas Também Curalançado no finalzinho do ano passado. Os ingressos já estão à venda em toda rede Sesc e custam de R$3,20 a R$16, imperdível!

Depois de uma paradinha para comer no Tollocos, foi hora de correr para o Sesc Pompéia e prestigiar o show que eu mais esperei esse ano: Cícero. E é triste dizer que foi uma grande decepção. Não sei se eu tinha criado muita expectativa, se a minha birra com Sábado – segundo disco do carioca, lançado em setembro – já era grande ou se eu estava em outro clima, por ter acompanhado o agitadíssimo Lucas Santtana a tarde, mas não me convenceu. A apresentação que começou pontualmente às 21h30, abriu com Fuga Nº 3 da Rua Nestor que faz parte desse segundo trabalho e por aí foi. A platéia estava enfervecida, também pudera, um show que teve seus ingressos esgotados poucos minutos depois de começar as vendas, e tempos antes do “grande dia” desistentes ofereciam suas entradas por até R$100 (o mesmo originalmente foi vendido na bilheteria do Sesc por R$20 a inteira), já era esperado fãs entusiasmados.

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O grande erro de Cícero, assim como muitos de vocês já devem ter lido pela internet, foi que ele usou todo o seu talento em Canções de Apartamento e decidiu fazer de Sábado algo mais experimental, não sei se isso foi proposital ou não. Mas o fato é que não agradou muito. Porém, o show valeu só por ter ouvido Tempo de Pipa, Vagalumes Cegos e Açúcar ou Adoçante. Cícero mostrou-se meio tímido durante todo o tempo que esteve no palco, mas revelou uma doçura que já era prevista por meio de sua voz. Ele pouco falou com a plateia, mas não acredito que seja por ser blasé, não. Pelo contrário, fiquei sabendo que ele recebeu muitas pessoas após a apresentação e foi simpático com todos. Bem no comecinho de seu show ele nos revelou um segredo: “Estou nervoso. É difícil fazer show em São Paulo, né? Vocês têm muitas coisas boas por aqui”. O que me deixou realmente espantada, foi o bis do rapaz. A gente que é muito ativa em shows “alternês” de Sampa, já está acostumado com aquele roteiro: canta algumas música, sai, faz um charme, volta para o bis e canta pelo menos mais duas músicas. Pois é, o Cícero voltou, mas fez uma capela e saiu correndo do palco. Poxa, esperava mais músicas do Canções, como por exemplo, Ensaio Sobre Ela, que tem uma letra belíssima e uma melodia perfeita. Não vou ser toda cricri e acabar com o rapaz: ele é bom, tem seu talento, mas esse novo disco não funcionou pra mim – mas pode funcionar pra você, vai saber. É uma questão de gosto, gente.

Mesmo assim, quando ele voltar à São Paulo, faço questão de comparecer novamente, porque dançar Tempo de Pipa não tem preço!

Fotos: Aline Paz | Agradecimentos: Verdura

Lucas Santtana faz show por R$1 no Memorial da América Latina

Eu já tinha conferido um show dele durante a virada cultural e digo que foi uma das minhas apresentações favoritas daquelas 24 horas de música, mas como ainda não conhecia muitas músicas do rapaz, fiquei animada ao saber que Lucas Santtana estava de volta ao Brasil e faria um show por apenas R$1 no Memorial da América Latina. Venci o frio que fazia no sábado (17) aqui em São Paulo e após uma pequena passada no Sesc Pompéia para pegar um livro emprestado (depois falarei mais sobre isso aqui), parti pra Barra Funda.

1094555_634629203222006_1808319079_oDepois de passar por 21 cidades da Europa e por Buenos Aires, Lucas e sua banda estavam mais energéticos que nunca, todos de terno e óculos escuros, apesar de já passar das 9h da noite. Bruno Buarque, que já trabalhou com vários artistas e acompanha a cantora Céu, comandou um tipo de bateria eletrônica, que foi a origem dos efeitos psicodélicos que esteve presente em todo o repertório, como disse o próprio Lucas: “Bateria digital, efeitos digitais, loucuras digitais”. Já o Caetano Malta intercalou entre o baixo e a guitarra de maneira divina. Juntos, eles abriram a noite com O Deus que devasta, mas também cura , nome que também leva o último trabalho do cantor. Além de um clipe intenso (que você pode ver aqui), a canção também carrega letra forte:

“Por causa da fúria de um deus/ Que fez ainda pior/ Muito assustadoramente/ Revirou gavetas, onde amor e letras/ em fotografias é o que nos valia e nos aquecia”

A primeira vez do baiano no Memorial seguiu calorosa, apesar do frio lá fora. O auditório do lugar é repleto de cadeiras, mas muitos não se aguentaram e levantaram para dançar ao som de canções como Who Can Say Which Way Músico. O repertório também é composto por algumas músicas instrumentais, cheias de psicodelias como a Recado para Pio Lobato que Lucas fez juntamente com Régis Damasceno, do Cidadão Instigado. Já Pela Orla dos Velhos Tempos mistura muitas batidas do funk e do clássico hip hop,  e lá pelo fim da canção, Lucas pede um blackout, onde só os celulares são levantados pelo público. Um homem eclético e ousado, que gosta de misturar ritmos e é feliz em suas escolhas.

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“Tá muito bom isso aqui, parece aquelas coisas que a gente gosta. E que vocês sabem o que é”, disse Santtana, depois de cantar e seduzir a platéia, passando a mão por todo o corpo. Foi a hora da sensual Lycra-Limão, bem agitadinha e  uma das minhas favoritas da sua carreira. Na noite também não pode faltar o sambinha de Amor em Jacumã e outras canções que compõe o disco Sem Nostalgia, antigo trabalho dele.

O bis teve direito a baladinha Cira, Regina e Nana, que é o single do novo CD. Ao fim do show Lucas pediu para a platéia se reunir, se apertando, para que ele pudesse tirar uma foto de cima do palco. Nesse momento, o cantor comparou o povo brasileiro, que não tem medo do calor do corpo humano, com os europeus, que não gostam muito do contato. Tenho certeza que ali ele se sentiu em casa, novamente, depois de uma temporada viajando. São Paulo não é quente como a Bahia, mas formamos um povo acalorado também. A noite marcou o lançamento do seu trabalho em formato de disco e estava à venda na saída do show por apenas R$40 e o CD por R$20.

Quer conhecer mais o trabalho do Lucas Santtana? O site traz informações, algumas músicas e agenda, além disso é sempre bom curtir a página no Facebook do artista que costuma ter novidades em primeira mão.

Vou deixar aqui também uma matéria que eu li na revista Serafina que eu achei muito interessante. Eles levantam a questão que Lucas faz o maior sucesso fora do país, estampa capa de vários jornais, mas aqui não tem tanto reconhecimento assim (uma pena). A versão online não é tão boa quanto a impressa, que trazia o print de algumas das capas que o cantor saiu, mas o texto de Rafael Andery é ótimo. Link: http://tinyurl.com/mrdjvh7

Ahh, e pra finalizar, as fotos foram cedidas pelo fotógrafo José de Holanda, que tem um trabalho lindo e vale a pena ser conferido, por isso, clica aqui! Quero deixar meus agradecimentos também às meninas da  Verdura Produções Culturais por serem sempre tão atenciosas.