3X3D – Greenaway, Pêra e Godard como você nunca viu!

3x3d

Os 3 grandes diretores se juntam para explorar todas as faces da terceira dimensão

Se você é leitor do NMP há um tempo, já deve ter lido em algum lugar dessa web quando eu digo que não gosto de falar sobre filmes. Isso porque, acho que eu não tenho ‘cunhão’ para falar sobre eles, principalmente os filmes mais famosos. Acredito que existem diversas pessoas e blogs que entendem mais de técnica para falar sobre a sétima arte com perfeição. Mas como essa foi uma experiência diferente, decidi compartilhar com vocês.

Sou frequentadora do Cine Sesc, por diversos motivos: o preço é bem acessível, quando não grátis; alguns filmes que você verá lá, dificilmente você conseguirá ver em outro lugar; sem falar do charme que só os cinemas de rua trazem. E foi nessa que na segunda-feira decidi ir até lá ver 3X3D, uma nova produção de Edgar Pêra, Jean-Luc Godard e Peter Greenaway. A primícia trazia a ideia de exploração da técnica e a evolução dela dentro do cinema, em uma película de apenas 62 minutos.

Just In Time, que é o primeiro trabalho, fica por conta de Greenaway, que foi de longe o que mais soube aproveitar essa estratégia. A direção pode até ser comparado com uma criança, que descobre uma nova forma de brincar, pois os olhos são invadidos com diversas imagens de vários tipos e até mesmo pedaços de textos, muitas vezes religiosos, como “Pai nosso que estás no céu”, por exemplo. A impressão que dá é que você é o cinegrafista, e passa por dentro de uma “Arca Portuguesa”, na cidade de Guimarães e assim contando a história do lugar. Ao passar por ambientes diferentes, é possível perceber – e muito – itens como profundidade e a fantasia que a técnica proporciona ao telespectador.

Em seguida, é a vez de Edgar Pêra e seu fabuloso Cinesapiens. Ele usa o 3D como metalinguística e forma uma relação do que é real ou não para o telespectador. Com certeza, foi o diretor mais feliz com a proposta, pois apesar de na maior parte do tempo o roteiro ser um tanto confuso e se perder, os efeitos de psicodelia são jogados aos montes na tela do cinema, o que cria a nós uma sensação de perturbação um tanto quanto viciante. Isso porque, por mais que em determinado momento você já tenha se perdido, é impossível não ficar abismado com o caos e barulho que acontece na tela. No meio disso tudo, algumas questões são levantadas, como por exemplo, o cinema ainda espanta?

Para fechar, Jean-Luc Godard nos invade com The Three Disasters, que nada mais é do que uma jornada pela história do cinema que questiona o que nos aguarda daqui uns anos, caso o 2D se torne obsoleto. O vídeo parece um ensaio, onde uma conversa entre um homem e uma mulher torna-se o cenário principal. E como muitas pessoas puderam perceber, ele vai contra a ideia do 3D, portanto, não espere grandes aproveitamentos dessa técnica. Pelo contrário, enquanto o homem conversa, diversos recortes de filmes já existentes jorram na tela, revezando cenas da mesa em que o papo acontece. Um tanto decepcionante, porém é importante para pensar. Você está mesmo preparado para ver filmes só em 3D?

Isso me fez pensar em um vídeo da Lully, do canal do Youtube Lully De Verdade, onde a vlogueira fala sobre esse tipo de cinema. Além de outras discussões, ela fala sobre como alguns filmes que não foram feitos com essa tecnologia, mas que por uma questão comercial são distribuídos dessa maneira.

Essa película foi exibida pela primeira vez na Mostra de Filmes de São Paulo e agora está em cartaz no Cine Sesc. Vale a pena ser visto pelas formas que foram aplicadas, pela beleza na fotografia e pelo prazer cinéfilo, claro. Porque acho que o roteiro foi um tanto quanto perdido. Se você ficou curioso pra ver, sugiro que corra, pois esse não é o tipo de produção que é encontrado facilmente na internet depois, até porque perderia um pouco de sentido vê-lo no computador, por exemplo.

Até quando? 23 de janeiro de 2014.

Onde? Cine Sesc – Rua Augusta, 2075, São Paulo.

Preço: R$15 (inteira)/ R$7,50 (meia)/R$3 (comerciário.  Mais informações: http://tinyurl.com/mxc8bcb

E quando a gente esquece que é feriado?

large (1)É normal que as pessoas aproveitem mais os feriados, mas quando esses dias caem durante um sábado, é fácil passar batido. Tinha me programado para fazer diversas atividades nesse último fim de semana (2), até perceber, com a demora do ônibus que era dia de finados. Primeiro, ao passar pelo centro de São Paulo para resolver algumas pendências pessoais, me deparei com a Zombie Walk, uma marcha pública de pessoas vestidas de zumbis. Aqui na cidade isso acontece todos os anos, desde 2006. Vi muitas fantasias legais, já outras…. Haha.

Fui correndo para o Museu da Imagem e do Som (MIS) ansiosa para ver a exposição mais que comentada do Stanley Kubrick. Eu só não esperava dar de cara com uma fila gigantesca na porta do lugar e aí pensei: “Ah, o feriado!”. O pessoal comentou que demorava em torno de 1h30m para entrar no local, fato que me fez desistir da visita e adiá-la. A mostra vai até o dia 12 de janeiro, custa R$10 (inteira), porém todas as terças a entrada é gratuita. Depois, acompanhei uma amiga de longa data até o Centro Cultural São Paulo, pois ela veria uma peça e adivinhem? Lotado, cheio, abarrotado. Muito bonito ver o paulistano visitar e dar valor para o meio cultural da cidade que cresce cada dia mais.

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Por fim, fui novamente até a Matilha Cultural (falei mais sobre o espaço aqui) ver o filme Acossado do diretor francês Jean-Luc Godard. A película de 1960 é em preto e branco e conta a história do romance clandestino Michel (Jean-Paul Belmondo) e Patricia (Jean Seberg). O vigarista se envolve em diversos crimes, como assaltos de carros e o assassinato de um policial, por exemplo, mas tem seu coração roubado pela jovem jornalista. Não é nada impecável, mas é importante ressaltar como é diferente e moderno para a sua época. Alô, feministas! Patrícia é um ícone da independência: cabelos curtos, calças, mora sozinha, faz sexo casual, engravida, mas não quer se casar, além de atuar como jornalista. Para década de 60 essas eram características muito modernas e a postura que ela tem a frente de tudo, rouba a cena. Ah, esse é o primeiro filme de Godard! O Cine Matilha ainda oferece mais uma sessão gratuita da película: na quarta-feira (6), às 21h. Corre lá?