Saiba como fazer um tour guiado e gratuito pelo Centro de São Paulo

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Foto: Divulgação

Passeio que acontece no Centro de São Paulo desde janeiro, ganha edição especial em junho  por conta da Semana do Meio Ambiente

Como em toda a história da humanidade, a água foi um fator preponderante de desenvolvimento das civilizações. Em São Paulo isso não foi diferente. Muitos paulistanos não sabem, mas embaixo da Av. 9 de Julho corre canalizado o Rio Saracura. Esta e muitas outras histórias serão contadas no Tour Guiado Rios e Córregos na Construção da Cidade de São Paulo, atividade realizada pelo Pátio Metrô São Bento, em parceria com a Caminhos do Triângulo, durante todos os sábados do mês de junho. A atividade é um lembrete ao Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 5 de junho e que no Brasil se estende a Semana Nacional do Meio Ambiente.

O tour tem como enfoque a história da Capital Paulista e sua relação com as águas e a população local. No passeio, que é conduzido por um guia de turismo, será explicada a importância dos rios e córregos na formação e desenvolvimento da cidade. Ainda entre os aspectos considerados estarão questões como a evolução dos sistemas de abastecimento, como funcionavam e como a cidade se utilizou do recurso da água.

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SummerStage leva Criolo e seu rap para o Cine Joia

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Quando o mais o queridinho do rap brasileiro anunciou dois dias de show em São Paulo, a vontade de ir explodiu, mas claro que não pude deixar de pensar que após ver cerca de dez apresentações do mesmo disco, a receita seria a mesma. Entretanto, mal sabia eu, que aquela noite ainda iria surpreender e muito a todos os presentes.

A casa abriu às 22hrs e recepcionou os mais adiantados com hip hop tocando baixinho nas caixas do ambiente. Alguns grupos de fãs já se acomodavam bem próximos ao palco, onde seria mais fácil vê-lo e quem sabe até tocá-lo. Isso porque, a estrutura do Cine Joia – um antigo cinema localizado no bairro da Liberdade em Sampa– dá a possibilidade de o espectador enxergar o artista, mesmo quando se está ao fim da multidão. Por volta da 1h da manhã, o palco que estava decorado com algumas peças gigantes de dominó – alusão a Duas de Cinco,  músicas inéditas lançadas em meados de outubro de 2013 – recebe DJ Dan Dan e Criolo, acompanhados de uma banda. Isso mesmo, a primeira grande diferença entre Kleber Cavalcante, nome de registro, e os demais colegas de profissão é que ele não se contenta só com a picape, pois por onde vai, leva a seguinte trupe: Daniel Ganjamn  nos teclados e programação eletrônica; Marcelo Cabral  no baixo; Guilherme Held  na guitarra; Maurício Badé  na percussão; Sérgio Machado na bateria e do fiel escudeiro DJ Dan Dan  que intercala entre voz e picape.

Apesar de seus beats mais lentos que o rap feito pelos Racionais, por exemplo, o protesto está presente na maioria de suas letras. E isso já fica bem evidente em Duas de Cinco, a primeira música da noite: “E a cada mil metros alguém morre de frio. E a cada cem metros alguém morre ferido. E a cada dez metros alguém conta o lixo. E a cada segundo uma revolta por tudo isso”, diz a canção carregada. Fazendo jus a boa fama de sua educação, o músico e compositor cumprimentou a plateia com um “boa noite” e seguiu Subirudoistiozin e É O Teste. Antes de dar continuidade com Freguês da Meia Noite, Criolo cobriu a cabeça com uma espécie de manto que trazia sobre as costas e disse: “Quanta coisa pode acontecer debaixo de um pedaço de pano”, incitando os fãs. O grande destaque ficou para Não Existe Amor Em SP, single que o consagrou como artista em 2011. Ao final, como forma de agradecer, se abaixou em reverência ao coro formado no refrão.

Algo singular de se observar durante as performances do rapaz é o modo como ele se entrega. Ele passa a maior parte do show com os olhos fechados, não para um minuto no palco e canta de corpo e alma. Logo após, Lion Man, Demorô e Linha de Frente, o rapper agradeceu o carinho daqueles que o admiram e disse que se não fossem pelas pessoas, ele nunca teria seguido com a carreira. Afinal, para quem não sabe, Criolo gravou o disco Nó Na Orelha com o intuito de guardar as suas últimas composições e se aposentar como MC. Porém, quando o trabalho estourou, foi impossível parar de cantar para a multidão que o segue por todo o canto do país – e fora dele também!

Ele ainda comentou sobre a diferença dessa geração, que movida à esperança e amor, podem e estão revolucionando o mundo. Isso porque, além de ser ativista das causas da periferia e de dar voz ao povo, ele também esteve presente em alguns dos protestos que aconteceram em julho na cidade paulistana. Depois, fechou com Bogotá. Mas claro, todos queriam mais, então eles voltaram para cantar Ainda Há Tempo e Vasilhame, que faz um protesto contra o governo que apoia o mercado de bebida alcoólica, mas proíbe as drogas de forma bruta. Depois de pedir para que as pessoas comparecerem à “biqueira cultural”, onde são vendidos camisetas e discos, DJ Dan Dan disse em alto e bom tom: “O amor vai salvar o mundo”. E foi com essa mensagem de paz que eles disseram tchau ao Cine Joia na sexta-feira, para retornar no dia seguinte e mexer com a vida de outras centenas de pessoas. É, realmente Criolo, o nó da tua orelha ainda dói em mim.

A segunda vez que eu te conheci

_A_SEGUNDA_VEZ_14X21_ARTE.inddMinha editora chefe sempre falou bem desse livro, porém a faculdade e a correria de uma redação fizeram com que eu deixasse essa leitura para o mês das férias. Enfim, ele chegou. Ok, nem tanto, afinal ainda tenho a semana de exames que vem por aí, porém a primeira coisa que fiz foi pedir pra ela o tal livro. Já tinha lido os melhores trechos, que ela (Isabella Delbucio) insistia em me mostrar.  Como já não era de se esperar, li em dois dias e me apaixonei por Raul e suas “amigas”.

É SOBRE O QUÊ?

Raul é um jornalista apaixonado pela sua profissão e também por sua mulher. Ele e Ariela vivem em um bom apartamento próximo a Consolação e desfrutam de uma vida de amores, pelo menos é isso o que ele pensa. Até o dia em que ela, admiradora de filosofia, decidida resolver ir embora. Esse é só um dos acontecimentos que levam o nosso protagonista a deixar uma carreira de sucesso para trás e virar agenciador de prostitutas, profissão conhecida como cafetão. Porém, esse novo homem que ao mesmo tempo em que se sente muito melhor, é questionado por sua própria consciência ao pensar em ética e o que é certo ou errado.

EU GOSTEI…

Posso falar que a obra virou uma das minhas favoritas. Isso porque o autor soube misturar bem o lado da profissão e também da vida pessoal de Raul. A sinceridade com que o personagem expõe seus pensamentos é demais, não me lembro de ter lido outro texto dessa forma. Por exemplo, ele admite que se masturba, até aí tudo bem, afinal, os homens até se gabam disso. Mas ele fala, de uma forma bem divertida, que os homens fazem isso em todos os momentos da vida (casados, solteiros, desempregados, na fossa, em luto). E mais! Afirma o ato acontece enquanto eles pensam em nossas melhores amigas. Não leve isso para o lado ruim e sim, para a sinceridade. Outro ponto bom é o romantismo que Raul tem, sem ser exagerado, porém, sempre faz questão expressar de forma criativa e bonita. Em um dos momentos, quando tenta convencer Ariela a não se separar dele, ele solta:

“Que delícia te ver rindo. Não vá embora, Vem, vamos brincar de escrever manchetes baseadas na mitologia: Helena de Tróia Foge com Amantes, Sísifo Carrega Outra Pedra, Prometeu Atacado Covardemente enquanto Acorrentado.”

Interessante o modo como ele misturou as profissões dos dois em um pedido claro de “FICA”. É de encher os olhinhos d’água. Por fim, é ótimo se sentir inserido na história certo? Em vários trechos o personagem fala de lugares famosos da cidade de São Paulo, como, Consolação, Pacaembu, Jardins, Consolação e até da Barra Funda. Dá uma proximidade unanime.

EU NÃO CURTI…

Achei a leitura ótima, uma pena ser tão curtinha – 191 páginas. Em geral a narrativa é muito interessante, te envolve do início ao fim. É, pois é, o final não é dos melhores. Porém, conversando com a minha chefe que já leu, a proposta do autor é mostrar outro lado da história. Que história? A da vida! (Não posso dar detalhes, não é? Quem conta o final? Haha). Mesmo assim não foi nada que tão grande que interferisse o meu encanto por toda a obra, que é daquelas que valem a pena ter exposta na estante. Até porque, preciso devolver o da minha chefe.

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VOCÊ VAI GOSTAR SE…

For jornalista! Esse é o primeiro item que me vem à cabeça, porque eu como aprendiz dessa área maravilhosa, me identifiquei em vários pontos. Além de fazer diversos questionamentos com a nossa língua portuguesa, que depois da reforma ortográfica ficou um tanto sem sentido e confusa, ele fala também sobre os manuais de cada veículo – revista, jornal, editora. Claro, ele corrige várias frases de affairs e amigos, mesmo que em pensamento e tem uma paixão incondicional pelo o que faz, mesmo que muitas vezes tenha que perder os prazeres da vida para honrar a carreira que escolheu. Um dos pontos fortes é quando ele se decepciona com Fabi, moça bonita, gostosa e morena, porém não tinha uma grande intimidade com o português:

“E desliguei frustrado. Pra mim ir de metrô?! Mim não vai de metrô, Fabi. Mim não faz porra nenhuma! Mim não quer banana. Mim esperava que você usasse corretamente o pronome pessoal. Para você vir de metrô, eu ir de metrô, nós irmos de metrô, um dia, a algum lugar, num passeio divertido, descemos na Consolação.”

Vai negar que não faz esse tipo de afirmação mental diversas vezes?  Aposto que sim. Além disso, Raul mantêm em sua geladeira um quadro que o lembra de diversos tópicos negativos que formam “A Maldição do Jornalista”. Entre os 15 pontos escolhidos pelo personagem estão:

“11. A máquina de café será a melhor colega de trabalho, porém, a cafeína não fará mais efeito.

14. Exibirá olheiras como troféu de guerra.”

Aconselho que leia o livro entre uma matéria e outra, para aliviar a tensão. E se você não for jornalista, leia também! Acredito que em algum ponto se reconhecerá em uma das figuras do autor.

SOBRE O AUTOR…

Escritor e dramaturgo, Marcelo Rubens Paiva, nasceu em 1959 em São Paulo, e estudou a Escola de Comunicações e Arte da USP. Publicou romances como Feliz Ano Velho (1982, Prêmio Jabuti) e Não Es Tu, Brasil (1996). Seu romance mais recente é Malu de Bicicleta (2004).

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