Invertendo os papéis

Após assistir quatro shows acústicos do Nx Zero, eis que surge a oportunidade: ir a mais um, porém, como jornalista. Ao invés de apenas curtir como fã, tive o privilégio de cobrir o evento e ainda entrevistá-los.

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Um dia antes pensei: Como devo me portar? Será que vou conseguir fazer meu papel de jornalista sem misturar o sentimento de fã? Conheço o Nx Zero a 10 anos, como formular as perguntas? E após pensar e repensar cheguei a uma conclusão: extrair o que há de melhor da banda e curtir o momento! E foi o que aconteceu. No final, mesmo descobrindo informações da carreira e dos novos projetos, pude perceber com outro olhar, somente o que uma fã-jornalista conseguiria enxergar.

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O show aconteceu no Espaço Cenforpe, na cidade de São Bernardo do Campo (SP). Com a casa lotada e um público já não mais tão teen – algo que vem mudando a cada show – o Nx cantou seus maiores sucessos, incluindo canções de outras bandas como: Charlie Brow Jr., Legião Urbana e Bob Marley.

Alguns pontos a serem observados durante as performances da banda é o modo como Di Ferrero, Caco, Ge, Fi e Dani se entregam. De forma leve e descontraída, o grupo curte o show como se fosse o primeiro ou o último da carreira. E neste acústico não foi diferente, mostrando total sintonia e muita simpatia, Di Ferrero fez questão de conversar e abraçar alguns fãs.

Outra parte incrível que presenciei, foi o momento em que a banda tocou a música do Chorão. A emoção tomou conta de todos os lados, tanto do público que cantou com a alma, como do vocalista, que fechou os olhos e, segundo ele, fez isso como forma de enviar pensamentos positivos a esse grande cantor e compositor. E foi com a música Eu Só Rezo Pra Ficar Bem e a frase de praxe, “Paz, amor e muito som”, que o Nx Zero optou por encerrar mais um show acústico.

E lá vamos nós às perguntas!
Além de entender o porquê deste projeto acústico, a banda também contou sobre o novo CD que será lançado em breve. Descubra detalhes dessa novidade que promete trazer uma nova pegada nestes 13 anos de banda.

Como surgiu a ideia de criar o acústico?
Di Ferrero: Era uma vontade que já tínhamos, vinda de uma ideia totalmente despretensiosa. Queríamos fazer algo diferente para nosso público, pois já temos um repertório grande nestes 13 anos de estrada. No caso das músicas em outros formatos, fizemos um teste e deu certo! Era para ser só em São Paulo, mas acabamos tocando em outros lugares. São shows bem exclusivos, só em teatros, e geralmente os ingressos acabam logo, como hoje. É muito bom ouvir uma “coisa mais canção”, principalmente para nós que estamos acostumados com muito  barulho.

E a escolha do repertório?
D. F.: Nós tocamos os singles do Nx de outra maneira, escolhendo músicas que dão certo no violão.  A cada show a gente muda! Na hora da até para ‘puxa’ um samba (risos). É mais descontraído, que um evento comum, porque você pode “conversar” com o instrumento e improvisar algo de última hora.

Sabemos que vocês estão no processo de gravação de um projeto novo. Como será?
D. F.: Sim! Nós já estamos compondo e, desta vez, fizemos algo diferente: alugamos uma casa na praia e levamos todos os equipamentos de estúdio que tínhamos para ter novas ideias. Nós nunca tinhamos nos isolado, acho importante isso pro artista sair um pouco da rotina. Estar na praia é bem tranquilo pra compor, em um dia de chuva, por exemplo, você pode se inspirar e fazer algo diferente.

Aproveitando a resposta do Di, gostaria de saber do resto da banda como foi essa experiência.
Caco: Antes eu não dava muito importância onde seria feito o CD do Nx porém, o Dani (baterista) começou a ter essa ideia de gravar em um estúdio fora de São Paulo e o resto da banda topou. E realmente, só de você estar em um lugar tranquilo, de frente pro mar, sabendo que eram só nós cinco ali, é uma outra energia.

Fi:
Dá para ficar mais focado né? Convivendo o tempo todo junto na praia, com as coisas montadas disponíveis para tocar e “fazer” som a qualquer hora é bem mais legal do que você ficar preso a um determinado horário de um estúdio.

Dani:
E você ainda pode pegar uma onda quando estiver de saco cheio! De vez em quando procurava o Ge e me deparava com um cabelinho flutuando no mar. Nós até gravavamos de sunga! (risos)

Ge:
Opa! Eu não, ainda tenho um preconceito de usar sunga. (risos)

E o CD? Vocês já finalizaram a gravação?
Caco: Ainda não. Acredito que a metade do projeto, pois, queremos fazer mais canções para poder escolher no final. Talvez algumas músicas que já gravamos entre ou não no disco, mas não temos uma data definida ainda. Pretendemos voltar na casa e concluir o projeto em breve.

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Créditos das fotos: Karoline Teixeira e César Ovalle