Rubel se despede de disco e dá entrevista para o NMP

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Foto: Aline Paz

Auditório Ibirapuera foi palco para o último show da tunê “Adeus, Pearl” em São Paulo

Após três anos do lançamento oficial de “Pearl”, primeiro disco da carreira, Rubel decidiu comemorar o encerramento de um ciclo. A turnê “Valeu, Pearl já passou por Ubá, Juiz de Fora, Viçosa, Volta Redonda e no sábado, 04 de novembro, foi a vez de São Paulo ouvir pela última vez o álbum na íntegra. A noite foi pra lá de disputada: os ingressos esgotaram em poucas horas e tinha até leilão na internet realizado por pessoas que compraram e não poderiam ir.

Cheguei ao Auditório Ibirapuera pouco antes das 21h e dava para sentir a excitação do público. Rubel teve sua entrada ovacionada. Tímido, mas muito simpático, sentou e logo pegou seu violão. Acompanhado de Antonio Guerra (teclado, acordeom e piano), Bubu (trompete), Pablo Arruda (baixo acústico) e Pedro Fonte (bateria), a noite foi inciada com “O Velho e O Mar”, seguida de “Mascarados” e “Pearl”.

Antes de tocar a canção que estourou no Youtube, o artista contou uma história ao público. Sempre que alguém perguntava para quem era a “Quando Bate Aquela Saudade”, ele desconversa ou dizia que era algo abstrato. Porém, ele disse que em uma viagem internacional, falava com um amor da época através do Skype. E a letra lhe veio inteira. “Fiquei com vontade de dizer ‘eu te amo. Que eu te amo demais’, por mais que isso seja brega. Mas não tinha problema, eu estava em outro continente, poderia ser brega e ninguém iria entender”, revelou. A história acabou com um pé na bunda, fato que fez o carioca perguntar ao público se valia a pena escancarar nossos sentimentos, declarar o amor e se jogar nas relações. “Eu não sei”, dizia ele e emendou com a melodia fofíssima da canção que encadeou esses questionamentos.

Em seguida, chegou a hora de “Ben”, minha canção favorita. Dedicada ao seu sobrinho, que hoje tem 8 anos, ele dá bons conselhos ao menino. Depois foi dado espaço para Pablo Arruda cantar uma das canções que compõem “Vai Ter Sombra”, disco que será lançado em breve. O espetáculo seguiu com “Mantra”, “Nuvem” e um cover de “Tocando Em Frente”, composição de Renato Teixeira e Almir Sater. “Quadro Verde” veio para fechar a noite e teve um toque todo especial: a parte de trás do palco foi aberta e os músicos ganharam as árvores do Parque Ibirapuera como cenário. Se tornou, praticamente, um quadro de ouvir.

Quem não conseguiu comparecer sábado, ainda têm algumas chances, caso caiba uma viagem no orçamento: até o final de novembro “Valeu, Pearl” passará por Teresina, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belém, Manaus, Natal, João Pessoa e Macéio. O rapaz disse que adoraria abrir datas extras na capital da garoa, mas a agenda anda apertada. Afinal, ele acaba de vencer o edital da Natura Musical, uma ideia que já apoiou quase 200 projetos culturais e faz questão de valorizar a criatividade e excelência da música brasileira. Rubel admitiu que ainda não tem nome para o disco novo e respondeu outras perguntinhas para o Não Me Poupe, confere aí:

Como foi ganhar o Natura Musical? Você já imaginava que ganharia?

Foi incrível ver o entusiasmo e o engajamento genuíno das pessoas torcendo para o disco acontecer. E foi bom poder contar um pouco do que eu imagino para o disco e ver as pessoas comprando as ideias. O disco já vai nascer com outro ânimo. Em relação a ganhar ou não, tentei não criar expectativa e só foquei em divulgar ao máximo possível a votação e fazer uma campanha divertida para mim e para quem estivesse acompanhando.

O que você espera dessa turnê de despedida? Os ingressos para o show de São Paulo acabaram em poucas horas, pensa em abrir uma data extra?

Espero fazer os melhores shows que já fizemos até agora, que seja quente e forte, que deixe uma saudade boa. Queria muito abrir uma data extra, mas infelizmente não vamos conseguir agora. São Paulo vai ter que esperar pelo disco novo.

 O que mudou do Rubel de 2013 para o novo disco?

As letras do primeiro disco são muito simples e diretas e o som muito calcado no violão. É um disco quase todo acústico. O disco foi produzido com muita leveza e despretensão. E isso tudo é incrível. O disco novo pega um pouco disso tudo, mas aponta para um lugar novo. A ideia é, ao mesmo tempo, preservar a essência das letras e das composições do primeiro disco, a ideia de contar histórias, e incorporar novos elementos, como sopros, cordas e influências de hip hop. O disco novo é mais elaborado, mais produzido, mais cuidadoso.

O que você tem escutado nos últimos tempos? O que inspira diretamente no seu processo de criação?

Hip Hop. Kanye West, Chance The Rapper, Kendrick Lamar, Frank Ocean. Ouvir música, ler, ver filmes, e, mais que tudo, viver, sair para o mundo, acumular experiência. Recebi esse conselho uma vez de um professor de roteiro. Quer inspiração pra escrever? Vai viver.

Você consome música independente do Rio de Janeiro? Tem nomes para indicar dentro da cena?

Sim! MC Marechal, Gus Levy, Rudah Guedes, Mãeana, Castello Branco.

Soube que você já dirigiu clipes de outros artistas, como o Qinho, sem falar no fenômeno que foi o “Quando Bate Aquela Saudade” que também é você quem assina a direção. Quais nomes te inspiram? E de qual mídia? Filme ou clipe?

Atualmente, o Louie CK é quem eu mais admiro. Ele é comediante e roteirista, tem um olhar muito particular do mundo, da forma quase absurda com que a sociedade se organiza, e, consegue articular isso tudo com muita precisão e graça. Ele vai nos lugares onde quase ninguém mais tem coragem de ir. Ele constrange a plateia no melhor sentido, porque fala de temas e de ideias que quase ninguém tem coragem de falar. Ele cria aquele sentimento de “não acredito que esse cara verbalizou esse pensamento que já quase surgiu na minha cabeça, mas nem eu mesmo tive coragem de admitir”. A gente tem acesso a tanto conteúdo, e todo mundo já fez tanta coisa, que é muito raro encontrar alguém que realmente surpreenda e provoque e incomode e tenha ideias frescas e loucas e engraçadas que te ajudam a enxergar as coisas sob uma perspectiva nova.

Você tem um “ritual” antes de começar os shows?

Quase passo mal de ansiedade. Geralmente, quanto mais ansiedade, melhor o show.

E o Ben, inspiração de uma das minhas músicas favoritas do “Pearl”, gosta de música? Acha que irá seguir os passos do tio?

Sim, ele gosta muito. Sempre ouve e canta a música que eu fiz pra ele. Difícil prever se ele vai seguir os passos. Ele ainda tem muito tempo pra descobrir qual é a onda dele.

Agradecimentos: Assessoria Perfexx e Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer

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