Não é só mais um filme sobre o Nazismo

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Vencedor do Globo de Ouro, “O Filho de Saul” mostra os campos de concentração por uma nova ótica e tem grandes chances de levar o Oscar em 2016.

Quando fui convidada para ver O Filho de Saul (Saul Fia), na Sony Pictures, não sabia o que me esperava nos próximos 107 minutos daquela terça-feira quente de janeiro. A verdade é que gosto de me privar daquilo que pode me surpreender. E dessa vez, não houve definição melhor do que um forte sobressalto.

O longa retrata o período de holocausto na Alemanha Nazista, onde pelo menos 6 milhões de judeus foram mortos durante a Segunda Guerra Mundial, sendo assim, nomeado como o maior genocídio do século passado.

A história se concentra no cotidiano de Saul Ausländer – vivido por Géza Röhrig -, um prisioneiro húngaro e judeu, que se vê obrigado a ajudar os nazistas durante o processo de  extermínio do seu próprio povo. Todos os dias, centenas de homens, mulheres e crianças chegam a esse local para serem fuzilados ou levados a um grande fosso em chamas. Antes de se dirigirem para sua sentença final, essas pessoas são conduzidas a despir-se completamente. Nesse momento, muitos choram, gritam e agonizam por piedade.

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A partir daí, começa o trabalho de Saul e seus companheiros do grupo Sonderkommando. Eles vasculham todas as vestes em busca de ouro, joias, moedas e qualquer tipo de “brilhos” como chamam seus dominadores. A segunda parte do serviço se resume a limpeza dos restos humanos que ficam jogados ao chão desse grande salão de fuzilamento e depois amontoar pilhas infindáveis de cadáveres. Por fim, encaminhar para o crematório.

Um dos pontos interessantes de se observar fica por conta do enquadramento da câmera, que praticamente a todo instante, roda em torno da cabeça de Saul. Quando não capta sua face, é como se o espectador seguisse o rapaz em todos os passos. Pelas costas. Com isso, os corpos assassinados, são desfocados em grande parte do longa. Praticamente não se tem planos abertos, onde é possível ver todo o cenário do filme. No entanto, não pense que esse fato tira a densidade e emoção. Ao longo de toda a película, é possível sentir, incomodar-se e até mesmo perceber o próprio estômago revirar, apenas por observar as expressões do protagonista. Uma bela e ousada sacada do diretor László Nemes.

A produção que foi indicada como Melhor Filme Estrangeiro pelo Oscar 2016, tem como plote um fator emocionante. Em meio a sua “limpeza diária”, Saul espanta-se ao encontrar um corpo conhecido em meio a tantos outros. Está ali, estirando em uma espécie de maca. Seu filho. Bem diante de seus olhos. Morto, já sem batimento cardíaco. E é a partir de então, que ele começa uma jornada para dar a sua cria um enterro digno.

O-Filho-de-Saul-3.jpgEm meio a essa trama, os membros do Sonderkommando começam a suspeitar que logo serão eles mortos e jogados ao fosso. Como forma de defesa e luta, os prisioneiros passam a planejar uma rebelião, para tentar sobreviver e conquistar a liberdade. Sem saída, Ausländer aceita a perigosa missão de ir ao encontro de um grupo de mulheres, em outro acampamento judaico, a fim de buscar um pacote de pólvora. Só assim, os cativos terão chances de lutar com seus inimigos.

Saul, claro, aproveita a saída para encontrar algum rabino que possa realizar o sepultamento de seu filho, escondido em seu alojamento. Apenas esse sacerdote judeu é apto a recitar o Kadish, como é conhecida a oração fúnebre costumeira desse povo que é sempre articulada em hebraico.

Frio, áspero e truculento, a história de Saul é daquelas que não só dá um soco no estômago, mas tapa na cara e voadora em qualquer telespectador. O final é de deixar até os mais insensíveis desolados, sem fala por alguns instantes após o filme terminar. Um retrato de um tempo tão bruto, que deve ser lembrado todos os dias, com muito respeito.

O Filho de Saul chega aos principais cinemas do Brasil amanhã. dia 04 de fevereiro de 2016 e tem grandes chances de levar a estatueta de Filme Estrangeiro dessa temporada. Abaixo é possível ver o trailer, caso ainda não tenha se convencido a apreciar essa obra.

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