Fervo do Dalasam

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Gay, negro e rapper. Conheça Rico Dalasam e seu “queer rap”.

Quem acompanha o blog há algum tempo, já sabe que eu sou fã da rede Sesc, principalmente, a unidade da Pompeia. Portanto, sempre tem algum post aqui que aborda alguma atividade nesse local. Porém, sempre há algo novo. E para o meu primeiro show de 2016, fui surpreendida grandiosamente.

Consegui comprar o ingresso de Rico Dalasam de última hora, pois andava desaviada. 2015 foi um ano sabático e nada produtivo para a minha vida cultural. Não fazia ideia de quem era aquele moço para o qual meus amigos haviam me convidado. Porém, sem delongas, logo aceitei o convite, afinal, uma noite na choperia é bem difícil ser ruim.

Quando entrei na choperia, já pensei: “eita viado, que esse show vai ser dos bons!”. Bitch Better Have My Money e 7/11, de Rihanna e Beyoncé – respectivamente – foram só dois dos hits pops que os DJs soltaram antes do dono do palco entrar. Peraí, DJ tocando na abertura do show? Essa é nova no Pomps! E o público aprovou, botando os corpinhos para dançar.

Pontualmente às 21h30, Dalasam surgiu, com uma camiseta verde repleta de paetês, cabelo bem trançado e muito glamour. A batida que mistura um pouco de rap, pop e até algumas batidas de funk é contagiante. Não Posso Esperar foi a primeira das músicas de seu EP Modo Diverso. Se engana quem pensa que Rico faz batidão apenas pra tocar nas baladas. Ele quer mais, quer tocar o seu povo. Negro, rapper e gay, o cantor não abre mão de juntar a alegria com um som politizado também. Assim, carrega suas letras com as mais diversas  questões dessas minorias. Em uma só canção é diagnosticado a luta da favela, o embate da homofobia e o peso do racismo vivido ainda nos dias de hoje. Em pleno 2016.

Após muita agitação, Dalasam fez questão dar uma pausa para falar com o público. Se mostrou claramente emocionado e admitiu o sentimento. “Eu já vim em muitos shows aqui nesse lugar e hoje tem tanta gente aqui pra me ver”, relatou o jovem de apenas 25 anos. E para não deixar de lado o movimento que representa, intitulado como “queer rap”, Dalasam se apresenta e ainda se mostra para a plateia: “Me analisa rapidinho”, dando uma voltinha para que todos vejam seu look. E todo o capricho não é a toa, antes de se jogar no mundo da música, Jefferson Ricardo da Silva – seu nome de batismo – trabalhou como produtor de moda no bairro dos Jardins.

E não foi de um dia para o outro que ele assumiu sua sexualidade no meio artístico. Entre uma música e outra, Dalasam desabafou essa árdua fase: “Foi difícil olhar o jeito que eu amo e colocar tudo aqui dentro. Mas a música, a atitude e não abaixar a cabeça para o que tá posto, fez eu aceitar tudo isso”, disse o rapper.

IMG_20160115_220743733.jpgAinda falando sobre diferenças, Rico trouxe um convidado para essa noite especial. Thiago Pethit pôs os pés no palco, já com uma pergunta na ponta da língua:”É Dalasam ou é Show das Poderosas?”. Os dois dividiram vocais com as músicas Deixa Quero Ser Seu Cão.

Para fazer a apresentação acontecer, Dalasam contou com a presença de Moisés no baixo, Rafa na percurssão e os DJs Binho e Balasi. Antes de cantar Riquíssima, o rapaz contou uma novidade ao seu público. Há algumas semanas, eles haviam embarcado para Londres, onde fizeram uma série de shows. Aproveitaram a viagem, para filmar o clipe desse que será o próximo hit. Assim que pisou em terras brasileiras, Dalasam deu um pulo na Bahia, onde encontrou ninguém menos do que Mahal Pita, produtor da banda Baiana System. Mahal ficou alucinado quando ouviu a nova música do rapper e decidiu fazer um remix. E talvez para honrar o nome, Riquíssima conta agora não só com um, mas com dois clipes que estão previstos para cair na rede ainda essa semana.

Outro item que está quase saindo do forno, é seu primeiro disco. Porém, Dalasam soltou uma canjinha inédita da música Relógios. E como já é de costume, não deixou de fazer um questionamento: Se você pudesse voltar o relógio, pelo o que você voltaria? A noite acabou rápido, em pouco mais de uma hora o rapper finalizou sua apresentação e deixou a todos com um gostinho de quero mais. Com certeza, 2016 é o ano de Rico Dalasam. Anotem aí: D A L A S A M.

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