Representatividade importa, sim!

LDN-June-65

O universo editoral, enfim, decide sair do armário e lançar títulos com personagens LGBT para o público jovem.

Não há como negar, adolescência é a fase da incompreensão, seja por parte do próprio jovem ou daqueles que estão ao seu redor. Mas todos têm seus pontos diferentes. Alguns se rebelam, expõem seus desejos e vontades no modo de se vestir ou através da música que escutam, ou mesmo se fecham. A reclusão, normalmente, acontece quando não há identificação – todos na escola parecem ter seus próprios grupos de amigos, enquanto você e só mais um estranho na turma.

5353fc15f5b205eb6323c4b861d88aac

Mas é nesse momento em que muitos têm a leitura como um refúgio, pois é possível se transportar para outros lugares, culturas e até realidades muito diferentes daquela em que o leitor vive. Afinal, quem nunca se pegou sonhando com um personagem literário? “Poxa, se eu vivesse no mundo de Hogwarts, talvez nem eu e nem Harry Potter seríamos tão solitários!”, tenho certeza que sim.

Justamente por essa tamanha necessidade de se encontrar em algo, não é de se espantar que o gênero literário YA (Young Adult) tenha se popularizado tanto nos últimos anos. Afinal, nesses enredos direcionados para pessoas de 15 a 29 anos, encontramos personagens jovens que vivenciam muitas dúvidas pertinentes dessa faixa etária, como romance, relacionamento com os familiares, dificuldades na escola e não saber como levar o futuro. Tudo isso regado com uma boa dose de humor, claro.

sctt

Não é novidade para ninguém, mas vale lembrar que um dos exemplos mais famosos dentro desse estilo é o John Green, que aos seus 38 anos, é autor de 6 títulos conhecidos mundialmente. A Culpa É das Estrelas, por exemplo, vendeu 639.502 exemplares em 2014, só no Brasil. O autor norte-americano é conhecido por tramas dramáticas, amorosamente falando.  No entanto, todos são protagonizados por homens e mulheres cis e heterossexuais. Com exceção de Will & Will, onde um dos Graysons é gay, porém como a obra foi escrita em parceria com David Levithan, o representante homossexual ficou por conta do segundo autor.

Não estou aqui para apedrejar John Green, pelo contrário, o talento dele é louvável. No entanto, se conflitos amorosos na vida de um heterossexual rende histórias para milhares e milhares de títulos anualmente, é possível imaginar a vida de um adolescente que gosta de pessoas do mesmo sexo e/ou identidade de gênero?

As complexidades de quem vive essa realidade são incontáveis: o medo da rejeição por parte da família, vergonha de contar aos amigos, o bullying sofrido na escola, a agressão gratuita na rua, o receio de ser expulso da própria casa, a falta de alguém que entenda a situação ou que já tenha passado por isso… E o mais importante, compreender seus próprios desejos e não ter vergonha de se assumir para os outros, e principalmente, para si mesmo.

GIF-GAY-GLEE

Na época de descobertas dessa que vos fala, poucos eram os títulos que abordavam essa temática. Poucas eram as pessoas que se assumiam ainda tão novas. Me vi sozinha e sem personagens que me representassem. Por essa e por outras, costumo dizer que a nova geração, de uma forma muito positiva, tem muito mais sorte. Afinal, hoje a sexualidade é discutida na internet, nas escolas, dentro de casa e até nas tradicionalistas novelas globais. Ainda estamos longe da perfeição, é claro, mas temos a esperança de seguir pelo caminho certo para acabar com o preconceito enraizado na sociedade e libertar cada vez mais as pessoas, independente de suas diferenças.

Só no ano passado, o Brasil contava com mais de dez lançamentos LGBTs para jovens. E essa lista só tende a crescer. Escritos por Levithan, Dois Garotos Se Beijando, Garoto Encontra Garoto, Todo Dia e o mais recente Naomi & Eli e A Lista do Não Beijo estão entre os destaques da categoriaMas não para por aí, Mente Silenciosa, de Andrew Smith; Menino de Ouro, de Abigail Tarttelin; e os nacionais Diário de Uma Garota Atrevida, de Karina Dias e Depois Daquele Beijo, de Rafaella Vieira,  também são ótimas pedidas para conhecer um pouco mais desse universo. De um modo geral, a esperança é que esses livros sejam levados para as escolas,  afinal, é ali que começam-se os questionamentos e, principalmente, a formação de caráter. Quem sabe assim, as pessoas se conscientizem e a triste estatística de morte de pessoas gays no Brasil diminua. Um estudo realizado pelo Grupo Gay da Bahia apontou que  um homossexual é assassinado a cada 26 horas, por conta de intolerância. Já passou da hora de tomar atitudes.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s