Sábado nostalgia e a Costa do Marfim

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Cachorro Grande estreia novo disco em grande estilo

Se você, assim como eu, em algum momento da sua adolescência gostou de rock e apreciou música brasileira, com certeza já escutou o som dessa banda gaúcha. A verdade é que quando “Sinceramente” estourou no TOP 10 da Mtv em meados de 2006, todo mundo logo se viciou.

A banda que havia sido formada em 1999 trazia tudo o que um bom amante do rock gosta: bateria alucinada, guitarras pesadas, letras insanas e integrantes totalmente loucos. Essa era a essência do Cachorro Grande. Foram seis discos até então, sendo que eles mantinham o jejum musical há três anos.

A questão é que todo mundo se renova. Eu não sou a mesma pessoa que era há dois anos atrás, assim como você, também não o é. Depois do DVD gravado no Circo Voador (RJ), o start veio à cabeça do grupo. Eles precisavam de algo novo. Assim como afirmou em uma entrevista dada à Folha recentemente, Beto Bruno já não estava feliz com o som que faziam. “Às vezes parecia que a gente estava fazendo cover de nós mesmos”, admitiu o vocalista ao Thales de Menezes, editor-assistente da Ilustrada.

Esqueça tudo aquilo que você já ouviu da banda. O que vemos em Costa de Marfim, disco lançado nesse ano,  é um som mais maduro e lunático. Para os amantes da música, fica fácil perceber grande influência de bandas como Chemical Brothers, MGMT, Happy Mondays e até Primal Scream. A mistura com batidas eletrônicas é perceptível já em “Costa de Marfim”, “Nós Vamos Fazer Você Se Ligar” e “Nuvens de Fumaça”, primeiras músicas do trabalho.

Os shows de lançamento aconteceram na sexta (17) e sábado (18) e trouxeram noites lotadas de fãs ansiosos na Choperia do Sesc Pompéia. Beto Bruno não é de muito papo. Acompanhado de Marcelo Gross (guitarra), Rodolffo Kieger (baix), Pedro Pelotas (teclado) e Gabriel Azambuja (bateria), o também compositor mostrou a que veio em intensa atitude de palco. Bebericava uma taça de vinho nos intervalos entre as músicas e agradeceu muito ao público paulistano por comparecer àquela noite. “Nós estamos emocionados”, disse Beto Bruno, depois de dizer que São Paulo é sua segunda casa. O que não deixa de ser verdade. Não foram poucas as vezes que trombei com os meninos pelos bares do Baixo Augusta, região central da cidade.

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Depois de cantar algumas músicas do trabalho novo, os rapazes fizeram aquele charminho costumeiro e deixaram o palco. “Fim do show” era a frase que estampava o telão que ao longo daqueles quase 50 minutos, trouxe projeções lindas, misturadas com cenas de filmes antigos e mulheres dançando. Tudo em preto e branco. Para quem acreditou que aquela amostra bastava para os meninos do Big Dog, com certeza, não está acostumado com o ritmo dos rapazes.

A segunda parte do show foi cheia de clássicos. Fato que levou o público à loucura. Ninguém ficou parado ao som de “Lunático”, “Hey Amigo”, “Bom Brasileiro” e  “A Hora do Brasil”. O público nem precisou pedir, eles já sabiam quais não poderiam faltar naquela noite tão especial. Por isso, uma série de “Roda Gigante”, “Que Loucura”, “Dia Perfeito”, “Sinceramente” e “Velha Amiga”, me levaram de volta aos meus 15 anos. E tenho certeza que foi igual para muitos ali. Os corpos suados que não paravam um minuto de se mexer, não deixavam negar.

Os roqueiros deixaram o palco mais uma vez. Todas as luzes se apagaram. E dessa vez, eu acreditei que havia acabado. Estava quase saindo para tomar o ar fresco que é impedido de entrar no estabelecimento, quando Beto Bruno volta com seus comparsas e diz: “Estava faltando uma!”. Seguido de gritos e aplausos, o vocalista puxou uma capela de “Dear Prudence” dos Beatles, para depois estourar com “Você Não Sabe O Que Perdeu”. Música melhor para fechar, não haveria.

Voltei pra casa com saudades do tempo em que a minha maior preocupação era conseguir chegar logo à Galeria do Rock para encontrar meus amigos. Com uma camiseta surrada dos Ramones e o all star velho o bastante para deixá-lo com estilo. Bons tempos.

Foto: Jefferson Santos e Daniel Gonçalves.

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