Da lama ao caos

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Nação Zumbi tem público emocionado no lançamento do seu novo disco

Foi durante o pré-feriado de São Paulo (11 de junho), quarta-feira que antecedia a abertura dos jogos da Copa Mundo no Brasil. Enquanto grande parte da população se preocupava em como iria curtir a partida, fãs enfervecidos se aglomeravam a frente da Audio Club, nova casa de shows da cidade e que já promete uma agenda cheia de atrações interessantes.

Há 20 anos atrás era lançado um dos discos que entraram para a história da música brasileira: Da Lama Ao Caos da banda de manguebeat até então conhecida como Chico Science & Nação Zumbi. Trabalho esse que na lista de 100 maiores discos da cena nacional elaborada pela revista Rolling Stone em 2007, ficou em 13ª posição. E foi a partir daí que nasceu a lendária Nação Zumbi, que escancarou as portas para o rock nacional dos anos 90 e abriu espaço para bandas como Raimundos e Planet Hemp.

A morte do pernambucano Chico Science em 1997, envolvido em um acidente de carro em Olinda, foi uma grande perda tanto para o cenário musical, como para seus amigos e companheiros da banda. Porém, depois de tudo o que foi conquistado o NZ não poderia apenas desistir no meio da caminhada, foi então que Jorge dü Peixe – que já tocava alfaia no grupo – assumiu os vocais, lançando o disco CNSZ (1998) repleto de homenagens ao antecessor.

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Após 7 anos sem novas criações e shows frequentes, o grupo lança Nação Zumbisomando então o oitavo trabalho da carreira. O álbum homônimo foi patrocinado por um edital da Natura Musical em 2013, empresa que tem dado grande apoio a música de raiz. Apesar de demonstrar independência e busca de novas sonoridades, o trabalho parte da mesma primícia de duas décadas atrás: letras fortes, muitas vezes relacionadas a causas sociais, não só do Recife e Pernambuco, mas de todo o território nacional, e claro, o manguebeat ingrediente substancial da banda.

A Nação subiu ao palco 00h30, abrindo o show com Cicatriz o primeiro single do novo trabalho. Seguido de Foi de Amor, Defeito Perfeito, Bossa Nostra Fome de Tudo. A apresentação se manteve intensa do início ao fim, tanto pelos integrantes que se entregaram de alma e carne àquele momento, como pelo público que a todo instante fazia referências à Chico e cantou em coro todas as letras. Os destaques ficaram por conta de A Praieira, Blunt Of Judah e Da Lama Ao Caos. 

É importante ressaltar que a Audio conta com uma estrutura ótima, ou seja, independente do local que você escolher, é possível ver o palco sem dificuldades. Desde que compareci à apresentação do Marcelo D2 em fevereiro, esse é um dos grandes motivos que me faz ficar muito animada quando uma banda que eu admiro anuncia seu show por lá. Vale a pena.

A única falha durante a exibição foi a falta da música Maracatu Atômico no repertório. A canção é um clássico da banda e da história cultural do nosso país, e não por acaso, foi o último clipe exibido na transmissão da Mtv Brasileira. Porém, nada que anule a beleza que foi a noite vivenciada por todos naquele espaço, com certeza, uma das mais memoráveis da vida.

Se você está por fora desse disco novo, está mais que na hora de ouvir. Dou ênfase para as músicas Um SonhoA Melhor Hora da Praia (que na versão de estúdio conta com a participação de Marisa Monte), Bala Perdida Cicatriz.

Fotos: Vitor Salerno | Agradecimentos: Audio Club e Agência Cartaz

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