PopPorn tem abertura crua e visceral

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Festival safadinho acontece em São Paulo nesse final de semana e promete quebrar tabus

Conheci o PopPorn no ano passado, entre um click e outro. Porém, a correria da vida me impediu de comparecer, mas a curiosidade para saber o que acontecia em 48h que reúne muita arte para pessoas com a mente aberta permaneceu. Isso porque o PopPorn fala da sexualidade tão abertamente quanto expõe vulvas no 2º andar da Trackertower, a casa de eventos mais underground de São Paulo. Mas foi só nesse ano, já em sua 4ª edição que eu pude participar do evento, e só para te dar um spoiler: hoje foi apenas a abertura e sai de lá sem palavras diante a experiência ímpar que tive.

Mas calma, vou explicar direitinho. Para acontecer, a organização do PopPorn optou pelo Catarse, uma ferramenta colaborativa onde consegue-se patrocínio para projetos, seja ele qual for. Com isso, os idealizadores estipulam um valor necessário para fazer acontecer e os interessados contribuem com quanto podem. A partir de então, recompensas são distribuídas, desde entrada para as exposições e palestras que acontecerão nesses dois dias, até workshops e vips nas festas interligadas ao festival. O sucesso do PP já é tão grande entre os paulistanos, que eles não só alcançaram, como ultrapassaram a meta.

Mas vamos ao que interessa? Ao chegar ao prédio da Trackers, fui recepcionada por uma figura exótica, porém muito interessante, que comandava quem entrava ou não. O lugar é bem grande, tem estrutura igual aos prédios antigos do centro velho de Sampa e é dividido em andares. No térreo, o público foi recebido para um coquetel antro-porno-fagico para comemorar a abertura. Entre músicas típicas de baladas, a DJ deixava soltar um funk e outro. Sim, funk. Dos mais safados. Por ali já era possível perceber a presença de um cenário e atores. Sem saber o que iria acontecer, fui conferir a exposição tão falada.

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A mostra não leva o nome de Vulva Liberta! à toa. Como mencionado, ela está localizada no 2º andar do espaço e traz diversas obras onde a protagonista é ela mesmo: a vagina, vulva, buceta, xoxota. Chame como quiser. Entre os participantes estão: Dabliuó e Fernando Rodella, Lidia Brancher, Camila Soato, Darlene Carvalho, Madô Lopes, Lika Miyuki, Les Chux, Carlos Café, Francisco Hurtz, Shima, Milton Mastabi Filho, Pietro Luigi, Priscila Gurski, Sara Não Tem Nome, Mariaandarna Poppovic, Dann Monroe, Priscilla Toscano, Perla e Raphael Popovic. Os artistas usaram diferentes materiais e técnicas para explorar o órgão reprodutor da mulher sem o menor pudor. Me diverti com muitos dos trabalhos e admirei a expo por um bom tempo. Uma das obras que mais me chamaram atenção, foi uma foto tirada do reflexo que a vagina de uma mulher fazia em um espelho ao observá-la. Vale ressaltar que a sociedade – e infelizmente, muitas mulheres – ainda vêem seus corpos e inclusive, a vagina, como uma esfinge. Ou seja, esse é um belo convite à libertação feminina e sexual. Admirável, e de muito bom gosto.

10362124_612212772207257_1602480564_nAo chegar novamente ao térreo, fui surpreendida com a melhor performance que esses meus olhinhos já presenciaram. Em uma passarela que imitava a bancada de feira, algumas figuras se posicionaram: uma Carmen Miranda que fez um strip-tease pra ninguém botar defeito ao som de Chica Chica Boom Chic; uma travesti vestida apenas com a bandeira do Brasil, que ao tentar decodificar o Hino de nosso país (cantado por Vanusa!) em libras, leva ovos cheios de tinta verde; e uma Maria Antonieta que ao som de O Que É Que a Baiana Tem? dizia a todo tempo como o Brasil era maravilhoso. Todas as apresentações misturavam sensualidade e uma crítica escancarada ao nosso país, principalmente, na última citada. Em dado momento, Antonieta perguntou animadamente: “qual a melhor coisa do nosso país?”, e sim, a resposta dada por ela, foi o futebol, logo após mostrar os seios pintados com bolas usadas no esporte. Não satisfeita, a mulher gritava: “um país não se faz de escola, nem de hospital. Se faz de bolas! “Que comam brioches ou melhor, que comam bolas”, bradava, em uma referência forte ao seu próprio personagem. E claro, ao pão e circo  que é a Copa no Brasil desse ano.

E não parou por aí, outras performances como a de um homem que se lambuzou com ketchup, mostarda e afins, enquanto cantou Você Não Entende Nada, de Caetano Veloso. Uma mulher com seios a mostra que tatuou um melão enquanto dançou com afinco Vaca Profana, um homem de papel que abusou de suas body modifications na frente de todos e um dançarino que deixou todo mundo de cara ao dançar Kátia Flávia e ser coberto por tomates logo depois. Apresentações cruas, viscerais, reais e que foram capazes de despertar as mais divergentes das sensações não só a mim, mas a platéia toda, com certeza. Fiquei sem fôlego, me peguei de boca aberta muitas vezes e com um grande gostinho de quero mais.

Se a sociedade tratasse assuntos relacionados à sexualidade com tanta naturalidade como ali me foi exposta, tabus seriam quebrados, preconceitos derrubados e mitos de beleza banidos de nosso cotidiano. Um fim de semana para aproveitar de cabeça e pernas abertas, por que não? Um ponto interessante de ressaltar é a quebra de padrões, diferente do que a mídia expõe, lá você vai ver peitos, bundas, bucetas e pênis de todas as formas, cores e maneiras. Todos com sua beleza singular. Como dizia a tatuagem na bunda de uma das dançarinas: love me and fuck me.

Ficou interessado? O PopPorn acontece no sábado (07) e domingo (08) a partir das 14hrs, tem uma vasta programação e na porta o ingresso custa R$40 para os dois dias e R$30 para apenas um. No site é possível conferir todos os horários, vídeos, informações e saber um pouco mais sobre quem está por trás desse projeto: http://popporn.com.br/.

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