Azul É A Cor Mais Quente, sim!

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A história de amor de Kechiche chama atenção da crítica e coleciona más e boas opiniões

Qual foi o grande problema de Azul É A Cor Mais Quente (La Vie  D’Adéle)? A expectativa! Aliás, esse é o que atrapalha muitas produções, não só no mundo cinematográfico. As pessoas depositam tanta confiança em algo, que quando chega o grande momento de conferir, julgam aquilo como ruim. Dezembro foi um mês conturbado, por isso, quando soube da estreia aqui no Brasil, tentei me abster de qualquer tipo de informação mais aprofundada sobre o longa, porque sabia que não conseguiria ver por aqueles dias. Ou seja, não li nenhuma resenha, nem comentários e não discuti com muitas pessoas sobre o assunto. Porque eu gosto de me guardar e ser surpreendida por aquilo que eu não sei, não conheço. Mas claro, foi impossível me livrar de comentários infames do tipo “é uma droga, três horas e só putaria”, “gastei meu dinheiro para ver duas sapas adolescentes transando”. Porém, consigo descartar totalmente esse tipo de comentário chulo e sem nenhum embasamento. Vejam bem, as pessoas tem total liberdade para odiar ou amar determinadas coisas, mas antes de falar que é “apenas sexo”, por exemplo, é importante ter argumentos para validar o que aquilo despertou em você.

Sem delongas, só tenho a agradecer as pessoas que me desmotivaram a ver esse filme no começo. Sou do tipo que, muitas vezes, nem lê a sinopse do filme, para não criar esperanças e se surpreender, para o mal o para o bem, como já comentei no começo. E isso foi o que tornou a história ainda mais especial, porque fui ao cinema sem esperar nada, apenas pelo prazer cinéfilo. Afinal, uma película tão comentada, deveria ter algo de bom para me mostrar. E então, me deparo com um roteiro lindo, com interpretações ótimas e muito reais, uma sensibilidade sem igual.

Não é atoa que Azul levou a Palma de Ouro em Cannes e quatro prêmios no Lumière Prix 2013 nas categorias: melhor filme, melhor realizador (Abdellatif Kechiche), melhor atriz (Léa Seydoux) e revelação feminina do ano (Adèle Exarchopoulos). É visível que cada detalhe fez muita diferença para que o enredo pudesse ser amarrado, como por exemplo, a Adèle comer com a boca aberta no começo do filme, demonstrando o quanto ela ainda era adolescente.

O início é muito sensível, quando ela começa a se descobrir. Mostra a real confusão de uma jovem que não entende bem os seus sentimentos. É importante ressaltar que Kechiche não traz apenas a questão da sexualidade, mas também as dúvidas sobre o que ela irá fazer depois que acabar a escola e como sua vida pode ser limitada. Adèle sai com alguns garotos, apesar de parecer não dar muita atenção para o lado sentimental ainda, mas quando cruza com Emma ao atravessar a rua, as certezas da garota de apenas 15 anos passam a se bagunçar. Os pequenos detalhes, fazem com que a história fique cada vez mais real, pois o diretor faz questão de retratar como é a primeira vez em um bar gay e também como os amigos do colégio podem se voltar contra os gays. Foi bárbaro como ele não se aprofundou nessa quesito de aceitação dos outros e sim, da própria personagem. Uma das minhas cenas favoritas, é quando Adèle volta da casa de Emma e a sua família prepara uma festa de aniversário surpresa para ela. Sim, é quando ela dança livremente I Follow Rivers, da cantora sueca Lykke Li, porque sabe, dentro dela, que se encontrou.

Diferente de muitas pessoas com quem conversei e até mesmo o que pipocou na internet, as cenas de sexo foram muito delicadas. O que causou adversidade ao público foi a falta de hábito em ver algo mais real, principalmente, entre mulheres. Sem contar que, a cena é longa, cerca de 7 minutos, com closes e tudo mais. É algo que não estamos acostumados a ver no cinema? Sim, é! Mas não deixa de ser realista, sem dizer que apesar de ser um ato mais hard, foram cenas muito bonitas, delicadas e bem feitas. E é por isso mesmo que deve aplaudi-las de pé, porque gravar cenas assim e tão reais, deve ter sido bem difícil. Quando veio ao Brasil para promover o filme, Adéle Exarchopoulos disse em entrevista ao Adoro Cinema que se divertiu muito durante essas cenas, em especial. (Você pode ver a entrevista inteira aqui).

É interessante ver como em diversas fases da história, o azul é evidenciado na película. Não tanto quanto na HQ que deu a origem ao filme e leva o mesmo nome (você pode comprá-la na Saraiva).

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As três horas da trama foram, sim, necessárias. E essa é uma das características do cinema francês, pois eles gostam de mostrar como verdadeiramente as atividades cotidianas acontecem. Um bom exemplo disso, é o filme Amour (2012), que conta sobre como um casal de idosos tem de lidar com a proximidade da morte. Uma ótima indicação para quem ainda não está habituado a esse estilo de narrativa mais lenta. Portanto, esses foram os 179 minutos menos cansativos, que dediquei ao cinema, da minha vida. E o final, não poderia me decepcionar. Isso é cinema europeu, minha gente. Nunca poderia acabar como um filme comercial/americano. Um aviso: você não está diante de Imagine Eu & Você, é uma história de amor real, linda e verdadeira.

Queria apenas abrir um parenteses:  estou tão apaixonada, que amo até os seus catarros, Adèle! ♥

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