Invasor (es) de terras e mentes

13136570Texto inédito de Beatriz Carolina Gonçalves provoca o espectador aos seus maiores medos e dúvidas.

É oficial, agora tenho mais uma paixão para agregar aos meus “vícios” culturais: o TEATRO. Tudo isso por conta da penúltima peça que assisti com a atriz Drica Moraes me fez apaixonar por mais essa arte (veja mais aqui). Então, essa aba que era a mais vazia do blog, promete ter um post novo todo mês, pelo menos.

Quem me acompanha , tanto aqui, como nas redes sociais, sabe que eu praticamente moro no Sesc Pompéia. O lugar que é pertinho da minha casa já me proporcionou diversos momentos ótimos. Porém, eu nunca tinha ido até o Espaço Cênico, onde são apresentadas diversas peças. Antes mesmo de entrar um moço lá fora avisa o público: “NÃO É PERMITIDO MEXER NO CELULAR, NEM PARA MANDAR MENSAGENS”. Um sacrifício para a nossa geração, não é mesmo? Isso porque, diferente do teatro principal, esse espaço é bem menor e você quase entra na cena junto com os atores, afinal, são apenas 50 lugares.

Fui ver Invasor(es)  por pura curiosidade, nem sabia o que me esperava. No momento em que o público entra, já somos tomados pela rigidez da peça: Paula Cohen e Joca Andreazza estão em cena, completamente em silêncio – ela sentada e ele de pé contemplando a cabeça de um gado que está pendurada de um lado das paredes – o que faz com que o clima tenso seja espalhado pelo pequeno local.

E por acaso ou não, o roteiro de Beatriz Carolina Gonçalves fala sobre o abuso de poder. Tendo como foco a grande luta travada diariamente, há algum tempo, em nosso país entre latifundiários e movimento de trabalhadores sem-terra, mostra o dia-a-dia de um casal machucado pela guerra. Ele é um rico fazendeiro e ela a mulher ingênua que não sabe de nada, pelo menos ainda. Aos poucos a esposa – uma verdadeira Amélia, que faz comida e cuida de toda a casa – descobre que o marido não é flor que se cheire, pois munido de seus capangas ele pretende acabar com o acampamento que se aproxima das suas terras, ameaçando tomá-las.  O grande diferencial da trama é essa: mostra o lado psicológico de um casamento que por si só já é desestruturado, porém, misturado a tensão em que o fazendeiro passa.

O diretor Roberto Alvim deixa que o diálogo dos dois flua durante as ações que são feitas em campo, além de misturar problemas sociais, políticos e psicológicos do ser humano.

PRESTE ATENÇÃO: Em mesmo que se tratando de uma única questão política, o desenrolar da história combina com diversos casos do nosso cotidiano. Até mesmo o abuso de poder que vemos nos nossos parlamentares todos os dias.

A peça dura apenas 50 minutos, os ingressos vão de R$16 à R$4, vai até o dia 07/07 lá no SESC Pompéia.

Alineee

Aline gostaria de invadir diversas mentes que conhece, ou pensa que conhece.

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