A segunda vez que eu te conheci

_A_SEGUNDA_VEZ_14X21_ARTE.inddMinha editora chefe sempre falou bem desse livro, porém a faculdade e a correria de uma redação fizeram com que eu deixasse essa leitura para o mês das férias. Enfim, ele chegou. Ok, nem tanto, afinal ainda tenho a semana de exames que vem por aí, porém a primeira coisa que fiz foi pedir pra ela o tal livro. Já tinha lido os melhores trechos, que ela (Isabella Delbucio) insistia em me mostrar.  Como já não era de se esperar, li em dois dias e me apaixonei por Raul e suas “amigas”.

É SOBRE O QUÊ?

Raul é um jornalista apaixonado pela sua profissão e também por sua mulher. Ele e Ariela vivem em um bom apartamento próximo a Consolação e desfrutam de uma vida de amores, pelo menos é isso o que ele pensa. Até o dia em que ela, admiradora de filosofia, decidida resolver ir embora. Esse é só um dos acontecimentos que levam o nosso protagonista a deixar uma carreira de sucesso para trás e virar agenciador de prostitutas, profissão conhecida como cafetão. Porém, esse novo homem que ao mesmo tempo em que se sente muito melhor, é questionado por sua própria consciência ao pensar em ética e o que é certo ou errado.

EU GOSTEI…

Posso falar que a obra virou uma das minhas favoritas. Isso porque o autor soube misturar bem o lado da profissão e também da vida pessoal de Raul. A sinceridade com que o personagem expõe seus pensamentos é demais, não me lembro de ter lido outro texto dessa forma. Por exemplo, ele admite que se masturba, até aí tudo bem, afinal, os homens até se gabam disso. Mas ele fala, de uma forma bem divertida, que os homens fazem isso em todos os momentos da vida (casados, solteiros, desempregados, na fossa, em luto). E mais! Afirma o ato acontece enquanto eles pensam em nossas melhores amigas. Não leve isso para o lado ruim e sim, para a sinceridade. Outro ponto bom é o romantismo que Raul tem, sem ser exagerado, porém, sempre faz questão expressar de forma criativa e bonita. Em um dos momentos, quando tenta convencer Ariela a não se separar dele, ele solta:

“Que delícia te ver rindo. Não vá embora, Vem, vamos brincar de escrever manchetes baseadas na mitologia: Helena de Tróia Foge com Amantes, Sísifo Carrega Outra Pedra, Prometeu Atacado Covardemente enquanto Acorrentado.”

Interessante o modo como ele misturou as profissões dos dois em um pedido claro de “FICA”. É de encher os olhinhos d’água. Por fim, é ótimo se sentir inserido na história certo? Em vários trechos o personagem fala de lugares famosos da cidade de São Paulo, como, Consolação, Pacaembu, Jardins, Consolação e até da Barra Funda. Dá uma proximidade unanime.

EU NÃO CURTI…

Achei a leitura ótima, uma pena ser tão curtinha – 191 páginas. Em geral a narrativa é muito interessante, te envolve do início ao fim. É, pois é, o final não é dos melhores. Porém, conversando com a minha chefe que já leu, a proposta do autor é mostrar outro lado da história. Que história? A da vida! (Não posso dar detalhes, não é? Quem conta o final? Haha). Mesmo assim não foi nada que tão grande que interferisse o meu encanto por toda a obra, que é daquelas que valem a pena ter exposta na estante. Até porque, preciso devolver o da minha chefe.

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VOCÊ VAI GOSTAR SE…

For jornalista! Esse é o primeiro item que me vem à cabeça, porque eu como aprendiz dessa área maravilhosa, me identifiquei em vários pontos. Além de fazer diversos questionamentos com a nossa língua portuguesa, que depois da reforma ortográfica ficou um tanto sem sentido e confusa, ele fala também sobre os manuais de cada veículo – revista, jornal, editora. Claro, ele corrige várias frases de affairs e amigos, mesmo que em pensamento e tem uma paixão incondicional pelo o que faz, mesmo que muitas vezes tenha que perder os prazeres da vida para honrar a carreira que escolheu. Um dos pontos fortes é quando ele se decepciona com Fabi, moça bonita, gostosa e morena, porém não tinha uma grande intimidade com o português:

“E desliguei frustrado. Pra mim ir de metrô?! Mim não vai de metrô, Fabi. Mim não faz porra nenhuma! Mim não quer banana. Mim esperava que você usasse corretamente o pronome pessoal. Para você vir de metrô, eu ir de metrô, nós irmos de metrô, um dia, a algum lugar, num passeio divertido, descemos na Consolação.”

Vai negar que não faz esse tipo de afirmação mental diversas vezes?  Aposto que sim. Além disso, Raul mantêm em sua geladeira um quadro que o lembra de diversos tópicos negativos que formam “A Maldição do Jornalista”. Entre os 15 pontos escolhidos pelo personagem estão:

“11. A máquina de café será a melhor colega de trabalho, porém, a cafeína não fará mais efeito.

14. Exibirá olheiras como troféu de guerra.”

Aconselho que leia o livro entre uma matéria e outra, para aliviar a tensão. E se você não for jornalista, leia também! Acredito que em algum ponto se reconhecerá em uma das figuras do autor.

SOBRE O AUTOR…

Escritor e dramaturgo, Marcelo Rubens Paiva, nasceu em 1959 em São Paulo, e estudou a Escola de Comunicações e Arte da USP. Publicou romances como Feliz Ano Velho (1982, Prêmio Jabuti) e Não Es Tu, Brasil (1996). Seu romance mais recente é Malu de Bicicleta (2004).

Livro

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