A inocência e o amor numa época tão devastadora.

Olá pessoal, como estão? Estava morrendo de saudades do NMP! e peço desculpas pela minha ausência. Esse semestre a faculdade me consumiu por inteiro e não pude me dedicar nas publicações do blog, mas agora ta tudo lindo e azul claro. Nesse meu semestre corrido, tive que produzir muitos textos para aula de Jornalismo Cutural, inclusive uma crítica de um filme em cartaz. O meu escolhido foi “Ginger e Rosa” e como me apaixonei por este filme resolvi postá-lo aqui no blog, afinal, ele foi muito pouco divulgado. Espero que gostem!

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Ginger & Rosa trata-se de um filme visualmente maravilhoso, onde imagens falam mais do que palavras e olhares aborrecem mais do que atos. O enredo se passa em 1962, durante a Guerra Fria e conta a história de duas amigas, Ginger (Elle Fanning) e Rosa (Alice Englart), nascidas no ano de 1945, o mesmo dia em que Hiroshima foi bombardeada, uma ao lado da outra. Desde então, se tornaram amigas inseparáveis. Quando digo visualmente maravilhoso, não falo de paisagens estonteantes daquelas que vemos em catálogos de turismo, ao contrário, falo da falta de beleza e de como os cenários se encaixam perfeitamente com o período em que o filme se passa. Arrisco em dizer que essa “falta” de cenário destaca a beleza, indiscutível, da personagem principal, Ginger.

Na trama vemos que Ginger e Rosa, por mais que sejam melhores amigas, são bem diferentes. Ginger acredita na vida e quer fazer de tudo para impedir a Guerra nuclear e por isso vira uma ativista mirim. Enquanto Rosa acredita no amor eterno e só quer fazer parte de uma vida íntima com alguém, mas de uma forma um pouco mais profunda, sendo assim, ambas começam a lutar pelo o que desejam e, naturalmente, a amizade vai se desfazendo. E se torna ainda mais inevitável quando Rosa começa um relacionamento com o recém-divorciado Roland (Alessandro Nivola), pai de Ginger.

Por mais que o filme se passe durante a guerra fria, Sally Potter preferiu transformá-lo numa arte de sentimentos e atuações do que num filme de guerra propriamente dito. Esta destaca a mudança que ocorre na vida de uma adolescente, no auge dos seus 17 anos, emocionalmente frágil, que vê a sua vida, sua admiração pelo seu pai e sua amizade se esvanecendo., Ao mesmo tempo vive constantemente com medo de que o mundo acabe, por isso, irá lutar para salvá-lo e salvar àqueles que amam.

gingerElle Fanning faz jus ao seu sobrenome e interpreta sua personagem de forma formidável. Ginger traz consigo uma personalidade rebelde, uma alma poetisa e uma ferocidade determinante em lutar contra a guerra que ameaça destruir o mundo que tanto ama. Através dos closes e olhares, Fanning, consegue transparecer o que sua personagem esta sentindo em determinado momento. É nessas horas que aplaudo Potter por tentar dar mais significado a um sentimento que, por mais que esteja subentendido, não se torna explícito. Ainda nesse sentido, Potter se aproveita do tema da bomba nuclear, para relacioná-lo com o desmoronamento emocional da personagem Ginger.

Por mais que Ginger tenha o incentivo de seu pai em lutar contra aquilo que acredita e a fazer parte dos protestos, por outro lado, tem como modelo sua mãe, dona de casa passiva e dependente de seu marido. Acredito que isto faz com que Ginger, muitas vezes, não consiga expressar-se a não ser através de seus poemas e quando esta descobre sobre o relacionamento de seu pai com Rosa fica, perceptivelmente, muito abalada, mas, ao mesmo tempo, não quer perder a admiração que sente por ele.

Por fim, Sally Potter consegue abordar uma perspectiva diferente em seu filme, onde mostra uma fase da vida em que tudo se torna urgente e enfatiza a possibilidade de que tudo poderia se acabar em segundos, usando como referência a Guerra e os ideais de Ginger, que vivencia este período e que luta para salvar o mundo em que vive e para esconder os sentimentos que nela florescem. Tudo isso envolto em um mundo particularmente instável. Aliás, vidas que começam com uma bomba atômica, não poderiam, de fato, acabar de forma diferente.

lEspero que tenham gostado da indicação! Estou a procura novos filmes, que tenham um contexto histórico, ou que não são tão promovidos na mídia. Se souberem de algum, avisem-me pelos comentários. Beijos!

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