Um olhar diferente…

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E quem diria que um clássico filme de 1991, onde duas amigas saem em busca de seus sonhos, chamado Thelma & Louise inspiraria um longa que conta a história de três amigos e portadores de Síndrome de Down? Foi isso que o diretor Marcelo Galvão fez em seu mais novo longa: “Colegas”. Caso o tenha, deixe de lado todo o preconceito com o cinema nacional que você carrega e prepare-se para ser envolvido em sonhos. Tente não prestar atenção no óbvio – ângulos, roteiro e pequenas falhas –, ao invés disso, reflita sobre a vida e como ela é. Esse é o convite que Galvão nos faz, assim que entramos na sala de cinema.

Cansado de viver a rotina monotoma do instituto em que mora, Stallone tem uma ideia. Ele cuida da sala de filmes do lugar, passa as tardes se deliciando ao ver seus filmes favoritos, um cinéfilo nato. Seu nome foi uma homenagem ao ator de todos os tempos, dado pelo seu pai, que foi para Hollywood escrever um roteiro logo depois que ele nasceu. Sua mãe foi morar com Tritões no fundo do mar, só não o levou porque ele não sabia nadar. Pelo menos é o que ele diz. Portanto, seu maior sonho é encontrar o mar, por isso, decidiu roubar o carro do dono do orfanato e sair em uma aventura com seus dois amigos também sonhadores: Aninha quer se casar e Marcio deseja voar, independente da maneira.

Ao som do grande rei do rock nacional Raul Seixas, eles pegam estrada em um Karmann Ghia vermelho e com os cabelos ao vento. O rumo? Nenhum dos três sabem ao certo, apenas acreditam que irão alcançar seus objetivos. Munidos apenas de uma arma de brinquedo, eles formam uma “gangue” para roubar alimentos durante a viagem e se rotulam como Mr. Green, Mr. Blue e Mr. Pink, forte referência ao filme “Cães de Aluguel” de Quentin Tarantino. E as menções não param por aí, afinal, volta e meia Stallone e sua trupe soltam frases de filmes como “Tropa de Elite” e “Blade Runner”, que além de serem engraçadas, ainda são grandes homenagens à sétima arte.

Em determinado momento as artes do trio são tão grandes, que chamam atenção da polícia e da mídia. Os mesmos aumentam os fatos e fazem retratos deles como “bandidos altamente perigosos”. Nesse momento, Galvão deixa transparecer uma crítica forte ao sensacionalismo tanto do jornalismo, como de programas no estilo da apresentadora Sônia Abrão. Em contrapartida, um dos pontos falhos do filme é a narração constante de Arlindo (Lima Duarte), explicando passado, presente, futuro e até os sentimentos dos personagens, sendo que se fosse deixado no ar juntamente com as ficasse no ar seria algo muito mais belo de se ver. Mas claro, isso não interfere ao ponto de estragar a ideia da película.

O resultado é filme simples, com um lindo plano de fundo. O campo de girassóis, por exemplo, chega a emocionar de tão belo. Sem falar na sensibilidade de diversas cenas, é possível sentir a emoção de Aninha ao ser pedida em casamento, por exemplo. Prova disso é a coleção de prêmios que o time já levou para casa: Melhor Direção de Arte, Melhor Filme e Longa Metragem Brasileiro no Festival de Gramado; Melhor Filme Brasileiro e Melhor Filme Melodramático pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo; Melhor Filme pelo Festival de Cinema Latino-Americano de Trieste e Melhor Filme no 6th International Disability Film Festival Breaking Down Barries.

A marca mais difícil que Galvão conseguiu conquistar foi fazer um filme que mistura humor e questões sociais, sem ser preconceituoso em nenhum momento. E apesar de ter tocado em um assunto até em então não explorado, o intuito do diretor não era conscientizar as pessoas da síndrome e sim fazer uma homenagem ao seu tio que é portador de Down. Portanto, o que vemos é o cotidiano e inocência com que uma pessoa portadora da doença leva a vida. No final, você começa a pensar quem são realmente “os diferentes”: eles; que tem e vivem seus sonhos mesmo que pequenos ou a sociedade que é cheia de pré-julgamentos? Uma filmagem doce, sobre imaginação, percepção do mundo e acima de tudo amizade.

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