"Nada é suficiente" – Resenha da peça "A Primeira Vista".


Ser atriz é algo muito louco, isso porque você faz caras e bocas em qualquer lugar, na frente de diferentes pessoas. Trabalhar com o teatro então, é mais doido ainda! Afinal, você corre o risco de falar para uma platéia lotada ou extremamente vazia – não sei qual pode ser a pior sensação. Fazer teatro com certeza é outra pegada: é ali, na hora, sem os erros de gravação e nem o “COOORTA”, é direto.
E foi nessa que fui exposta ao trabalho “A Primeira Vista”, em cartaz no teatro do SESC Pompéia até o dia 25/5. O elenco conta com Drica Moraes e Mariana Lima e dura cerca de 80 minutos. Sempre admirei a atuação da Drica na telinha, mas ali ao vivo, da primeira fileira pude perceber o quão boa ela é. O roteiro de Daniel Maclvor conta a história da amizade de duas mulheres – sem nome – desde o primeiro momento até o fim, passando por crises e “boas risadas”. 
A direção de Enrique Diaz fez com que em apenas um cenário contendo poucos objetos – duas cadeiras, um aparelho de som e uma planta – as personagens brincassem entre passado e futuro, sem deixar o público confuso. O jogo de luzes e as expressões das duas ajudavam nesse momento. Com diálogos ágeis é fácil perceber que uma é mais intensa, a outra mais branda; uma é otimista e a outra consegue perceber melhor a vida, mas é inegável dizer que as duas tem sonhos, são românticas. A diferença entre as personalidades fica mais nítida ainda quando as interpretações em cima de frases como “Nada é suficiente” são apresentadas.
Não se sabe ao certo qual o tipo de relação entre as mulheres, afinal, depois de uma noite juntas elas cultivam uma bonita amizade, passam anos, se envolvem com outros caras, casam, mas ainda sentem ciúme uma da outra. Porém, como disse a própria personagem de Drica no meio da apresentação: “faz diferença?”. Faz diferença rotular qual o tipo de relação temos? O que se vê é que as personagem alimentam um companheirismo intenso, com algumas mentiras no começo, mas que fazem parte de qualquer tipo de primeiro contato. O medo durante a trama é representado pela imagem do urso e faz com que o espectador reflita sobre a vida como um todo. Ao som de Nirvana e da banda “Ukeleladies” formada por elas mesmas, em um único show, emocionam e divertem o público ao mesmo tempo.
Obrigada Drica e Mariana, depois de quase dois anos sem ir ao teatro, minha volta não poderia ter sido melhor.

VAI LÁ:
O que? Peça “A Primeira Vista”
Onde? SESC Pompéia – Rua Clélia, 93, São Paulo – SP
Quanto? De R$6 a R$24
Até quando? 25/5 – Sextas e sábados às 21h e aos domingos às 18h.

MEGA DICA: Durante a Virada Cultural (18 e 19/5) a peça será exibida gratuitamente. Porém, chegue cedo, bem cedo! 

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