“Eu vejo esta foto e não sou eu ali, somos nós dois”

Depois que enjoei um pouco da antiga obsessão que eu tinha por vampiros (eu disse VAMPIROS, aqueles da titia Anne Rice, do André Vianco e não a historinha de “fadas” que a Stephenie Meyer conta), me apeguei muito com as biografias. Ás vezes nem conheço muito do trabalho do artista, ou nada, mas se a sinopse me chama atenção, eu leio.
E foi assim que aconteceu com o livro “Só Garotos” escrito pela roqueira Patti Smith. Pouco conhecia do seu trabalho, mas o sorriso do moço da capa me encantou, então não hesitei em pedir emprestado o livro de uma amiga, que já leu e releu a obra várias vezes.
A biografia não é sobre Patti e sim sobre Robert Mapplethorpe, que foi companheiro dela por muitos anos, mesmo depois que os dois já não se envolviam amorosamente. Mas claro, que não deixa de falar sobre Patti também, afinal não há como falar de um, sem falar do outro.
No início do livro, a autora fala brevemente sobre a vida difícil que levava desde a infância, a experiência de ter um filho e doá-lo para uma família, pois não havia condições de dar uma vida digna ao garoto e logo a sua mudança para Nova York. Conheceu Robert de uma maneira inusitada e nunca mais deixou que ele saísse de sua vida, logo os dois foram morar juntos e aprendiam coisas novas um com o outro todos os dias.
O livro é um perfeito retrato da arte, afinal, o que uniu esses dois foi a arte, então no livro Patti conta sobre as pinturas, as instalações, quadros, poesias e pequenos presentes artesanais que os dois compartilhavam. A vida não era fácil, mas Patti sempre se mostrou muito esforçada, trabalhou em diversos cargos e livrarias, além de sempre dar um jeitinho daqui e dali, trocando raridades em sebos.
De forma poética Smith fala sobre o cotidiano que levava ao lado de Robert, nos bons e maus momentos. É possível também ver o começo (e em algumas vezes o fim) de artistas que hoje são considerados consagrados e que conviviam com os dois, como Janis Joplin, Andy Warhol e Jimi Hendrix.
Ainda no começo, a autora afirma que pensou não escrever o livro, pois iria ser doloroso reviver tudo, sem Robert por perto, mas era uma promessa ao próprio fotógrafo.
É interessante ver o processo que levou Patti a transformar suas poesias em músicas e Robert suas colagens em fotografias. Além de várias referências de arte em geral, “Just Kids” (nome original) trás algumas das fotos mais famosas feitas por Robert, a maioria delas de sua eterna musa, Patti.
Para alegria geral, o livro irá virar filme! A própria Smith vem trabalhando na produção desde 2011 ao lado do roteirista John Logan, mas ainda não temos uma previsão de estréia. A obra rendeu a Patti o National Book Award em 2010, um dos principais prêmios literários dos EUA. 
E o final? Bom, eu não posso falar sobre ele, mas só aviso que se vocês não gostam de chorar em público, guardem as últimas páginas para ler em casa. Falo isso por experiência própria, pois eu me debulhei em lágrimas em plena a linha vermelha do metrô de São Paulo.
Título: Só Garotos | Autor: Patti Smith | Editora: Cia das Letras |Ano: 2010

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