O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Confesso que não estava muito ansioso por essa conclusão da trilogia de Christofer Nolan. Mesmo sendo fã confesso do homem morcego e das adaptações anteriores, nem sequer fiz questão por acompanhar as atualizações de elenco e as fotos tiradas dos sets, e a escolha de Anne Hathaway como Selina Kyle me desmotivou ainda mais. Nada contra a Anne, pelo contrário, mas sua inexperiência em filmes movimentados me deixou desanimado pra assistir esse Batman. Talvez essa indiferença toda durante a produção tenha feito bem, talvez tenha sido proposital essa atitude de ignorar todos os trailers e chamar os cartazes e banners de mal feitos, porque deixou tudo muito inesperado.
Apesar dos trailers e dos cartazes, o que importava estava naquela sala de projeção ao apagar das luzes, e pra isso sim, eu estava muito ancioso. Nas primeiras cenas, enquanto os novos personagens eram introduzidos, já fiquei surpreso com a ótima atuação do Tom Hardy e da Anne Hathaway. Sempre me surpreende a capacidade de transformação que os atores tem em papéis inusitados, e esses dois fizeram muito bem esse trabalho! Enquanto Hardy incorpora Bane e aterroriza a platéia sem fazer muito esforço, Hathaway parece ser outra pessoa durante suas iniciativas como Mulher Gato, mudando sua postura e forma de falar quase que instantaneamente.
A equipe investiu em cenas de ação cheias de elementos em escalas que deixam a platéia boquiaberta. Desde a cena inicial da invasão do avião, até a implosão simultânea de pontes, prédios e um estádio de futebol americano na mesma cena, tudo funciona muito bem para mostrar que Bane é o vilão mais poderoso que Batman já enfrentou nessa trilogia, e o único que pode acabar com um herói em um simples encontro.
Sem esquecer que essa precisa ser uma conclusão épica, podemos revisitar vários elementos dos filmes anteriores, como os flashbacks de momentos marcantes e a origem do homem morcego. Inclua a isso várias situações de queda e superação, que deixam a conclusão da trama com uma sequência hipnótica de eventos que finalizam essa trilogia de forma majestosa. Outro destaque que não pode deixar de ser citado é a participação do mordomo Alfred na trama, com os diálogos mais envolventes do filme, sendo decisivo e emocionante durante as cenas finais.
O Cavaleiro das Trevas Ressurge é repleto de surpresas e reviravoltas na trama que merecem ser aplaudidas ao escurecer da derradeira cena dirigida por Nolan. Não é só Batman que experimenta a queda ao toque de Bane e consegue ressurgir, mas sim vários “cavaleiros das trevas” de Gotham que provam que merecem surgir durante a trama, até o último momento.
Esse não é um filme sobre heróis, mas sim sobre humanos que aprendem a seguir seu caminho, seja ele correto ou não. A vida é cheia de momentos como esse, e cabe a cada um enfrentar as consequências de seus atos. James Holmes escolheu iniciar um massacre em uma sala de cinema durante a projeção da pré-estreia de O Cavaleiro das Trevas Ressurge, causando a morte de vários inocentes e um momento que nunca será esquecido pelos sobreviventes. O mundo é cheio de pessoas que, assim como Holmes, sacrificam vidas injustamente sem motivo aparente, apenas para exibirem suas ideias ao mundo, o que vai contra tudo o que Batman representa. Não cabe a mim julgar, mas talvez, se James tivesse a atenção devida pelas pessoas que convivem com ele, se seus anseios fossem percebidos antes do massacre, esse evento lamentável não teria acontecido.
Mas, no final das contas, não podemos contar com o Batman aqui, no mundo real, e talvez seja essa a distinção que todos precisamos fazer, que James Holmes não foi capaz: O Batman não existe, mas representa algo que todos temos dentro de nós, que é a esperança de construir um mundo melhor para todos. Digo, o Batman existe sim, mas ele está nas atitudes da sociedade, naqueles momentos que é posto um Não Me Poupe! na mesa. Queremos tudo, queremos decidir, ter voz ativa e ver nossos interesses levados a sério sem que terrorismos, como os ataques praticados por Bane, sejam transformados em realidade. 
 
E é com essas palavras que finalizo minha primeira, e orgulhosa, contribuição no Não Me Poupe!. A cada post da Aline, crescia um sentimento de que eu também tinha algo do tipo a falar pra vocês, e agora tive essa oportunidade, espero que minha contribuição seja interessante aos textos do site!

2 comentários em “O Cavaleiro das Trevas Ressurge

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